Síndrome de Li-Fraumeni: o que é, sintomas, causas e tratamento

A síndrome de Li-Fraumeni é uma condição genética rara que aumenta o risco de diferentes tipos de câncer, como tumor cerebral, sarcoma e câncer de mama, e não causa sintomas específicos.
Essa condição pode estar presente desde o nascimento, sendo causada por uma alteração genética no gene TP53, que participa da formação da proteína p53, que ajuda a impedir a multiplicação descontrolada das células.
A síndrome de Li-Fraumeni (LFS) não tem cura, mas o acompanhamento médico regular ajuda a diagnosticar e tratar tumores nas fases iniciais, aumentando as chances de sucesso do tratamento.

Sintomas de Li-Fraumeni
Os sintomas, conforme o estágio e tipo de câncer causado pela síndrome de Li-Fraumeni, são:
- Convulsões, dor de cabeça frequente ou intensas;
- Náuseas, vômitos e perda de peso;
- Alterações de equilíbrio ou na caminhada e tontura;
- Nódulo na mama, alteração no formato do mamilo ou da pele mamária e assimetria recente;
- Fadiga extrema e persistente, e palidez;
- Febre, infecções frequentes e ínguas;
- Dor persistente nos ossos e inchaço local;
- Nódulos nos músculos, articulações, braços ou pernas.
A pessoa também pode apresentar sangramento nas gengivas, hematomas, e crescimento acelerado dos órgãos genitais, alteração na voz e pelos genitais antes da fase da puberdade.
É importante ressaltar que a síndrome de Li-Fraumeni não causa sintomas específicos, mas aumenta o risco de alguns tipos de câncer, como tumor cerebral, sarcoma, câncer de mama, leucemia aguda e carcinoma adrenocortical, que provocam esses sintomas.
O que é o gene TP53?
O gene TP53 é um dos genes inibidores de tumor mais importantes do corpo, sendo responsável por fornecer as instruções para a produção da proteína p53.
A proteína p53 controla a divisão celular, a ativação e o reparo no material genético, e induz a morte de células defeituosas.
Assim, as mutações no gene TP53 causam a perda da função da p53, favorecendo o acúmulo de erros genéticos e a multiplicação anormal de células.
Como confirmar o diagnóstico
O diagnóstico da síndrome de Li-Fraumeni é feito pelo oncologista ou geneticista, através de uma avaliação física, dos sintomas apresentados e do histórico de saúde familiar e da pessoa.
Para confirmar o diagnóstico, o médico pode solicitar o teste genético para avaliar possíveis mutações no gene TP53, colhendo-se uma amostra do sangue ou da saliva da pessoa.
Esse teste genético pode ser indicado pelo médico na presença de condições como:
-
Câncer de mama na pré-menopausa, sarcoma de tecidos moles, osteossarcoma, tumor do sistema nervoso central ou carcinoma adrenocortical antes de 46 anos e pelo menos um parente de 1º ou 2º grau com um tumor do espectro da LFS antes de 56 anos ou com múltiplos tumores;
-
Múltiplos tumores primários (exceto múltiplos tumores de mama), onde pelo menos dois pertencem ao espectro clássico da LFS e o primeiro aconteceu antes dos 46 anos;
-
Carcinoma adrenocortical, carcinoma do plexo coroide ou determinados tipos raros de rabdomiossarcoma, independentemente do histórico familiar;
-
Câncer de mama em mulheres antes dos 31 anos.
Pessoas com alto risco de ter uma variante alterada do TP53, devem receber aconselhamento genético, onde se recebe orientação sobre os riscos e as opções de gerenciamento, como exames de rastreamento e acompanhamento médico.
Leia também: Aconselhamento genético: o que é, para que serve e como é feito
tuasaude.com/aconselhamento-genetico
Possíveis causas
A síndrome de Li-Fraumeni é causada por uma alteração genética no gene TP53, que atua na formação da proteína P53. Essa proteína ajuda a controlar a divisão celular, reparar o DNA e impedir a multiplicação descontrolada das células.
Assim, quando o gene TP53 sofre uma alteração, a ação da proteína P53 também fica comprometida, favorecendo a divisão descontrolada das células e aumentando o risco de tumores.
Geralmente, as pessoas com a síndrome de Li-Fraumeni herdam uma cópia alterada do gene TP53 de um dos pais.
No entanto, em algumas pessoas a alteração também pode surgir espontaneamente, durante a formação dos gametas ou no início do desenvolvimento embrionário, não sendo herdada dos pais.
Além disso, algumas famílias apresentam um histórico de câncer sugestivo da síndrome, mesmo sem uma variante patogênica do TP53 identificada nos testes.
Nem todas as pessoas que têm a mutação no gene TP53 vão desenvolver câncer. No entanto, o risco de surgir pelo menos um tumor ao longo da vida é muito alto, onde cerca de 90% desenvolvem um tumor maligno até os 60 anos.
Como é feito o tratamento
Não existe um tratamento específico ou cura para a síndrome de Li-Fraumeni ou para a alteração do gene TP53.
Assim, o tratamento é feito se a pessoa apresentar câncer, podendo incluir:
- Quimioterapia, para combater o câncer, com o uso de quimioterápicos que eliminam ou bloqueiam o crescimento de células tumorais;
- Radioterapia, se for muito necessária ao tratamento, usa-se técnicas de alta precisão, como terapia com prótons ou IMRT;
- Mastectomia: pode ser indicada pelo médico para ajudar na prevenção ou no tratamento do câncer de mama;
- Psicoterapia: as pessoas com síndrome de Li-Fraumeni podem desenvolver ansiedade e depressão.
É recomendado também fazer mudanças no estilo de vida, como parar de fumar, evitar a exposição solar sem proteção e evitar a ingestão excessiva de bebidas alcoólicas.
Leia também: Radioterapia: o que é, para que serve e efeitos colaterais
tuasaude.com/radioterapia
Como diminuir o risco de câncer
Algumas medidas que podem ajudar a diminuir o risco de câncer na síndrome de Li-Fraumeni são:
1. Manter acompanhamento médico especializado
O acompanhamento médico regular com uma equipe especializada em genética e predisposição hereditária ao câncer é uma das principais medidas para melhorar os resultados de saúde de pessoas com síndrome de Li-Fraumeni.
Esse acompanhamento permite avaliar o estado de saúde, identificar alterações suspeitas precocemente, organizar exames de rastreamento conforme a idade e o risco individual, e adaptar o acompanhamento quando há histórico de câncer.
Em crianças, o acompanhamento pode ser feito pelo oncologista pediátrico e geneticista. Nos adultos, pode envolver geneticista, oncologista e outros especialistas.
Entretanto, o acompanhamento não impede o surgimento de novos tumores. O principal benefício deste acompanhamento é aumentar a chance de diagnóstico precoce, permitindo tratamentos menos agressivos e melhores resultados.
2. Fazer exames de rastreamento regularmente
Os exames de rastreamento regulares são essenciais na síndrome de Li-Fraumeni, até mesmo quando não existem sintomas.
Conforme a idade e a avaliação especializada, os principais exames incluem:
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Ressonância magnética de corpo inteiro e do cérebro
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Ultrassonografia abdominal e pélvica;
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Ressonância magnética das mamas;
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Endoscopia digestiva alta e colonoscopia;
Outros exames, como avaliações dermatológicas e exames de sangue específicos, podem ser indicados conforme a idade, o histórico de tratamento e os riscos de cada pessoa.
Os intervalos dos exames podem variar entre diretrizes e devem ser individualizados, conforme a orientação médica.
3. Evitar a exposição desnecessária à radiação
Pessoas com síndrome de Li-Fraumeni podem ter maior suscetibilidade ao desenvolvimento de cânceres associados à radiação ionizante.
Por isso, sempre que for clinicamente adequado, deve-se priorizar exames que não usam esse tipo de radiação, como a ultrassonografia e a ressonância magnética.
Entretanto, exames como radiografias e tomografias não devem ser descartados quando forem necessários para um diagnóstico ou tratamento. A escolha do médico deve considerar os benefícios e os riscos de cada exame.
4. Evitar fatores que aumentam o risco de câncer
Algumas medidas que podem ajudar a diminuir o risco de câncer na síndrome de Li-Fraumeni são:
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Evitar fumar e o fumo passivo;
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Usar protetor solar regularmente;
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Manter o peso corporal adequado;
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Fazer atividades físicas regularmente, de 3 a 5 vezes por semana;
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Manter uma alimentação saudável, priorizando legumes, frutas, cereais integrais e proteínas com pouca gordura;
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Diminuir o consumo de bebidas alcoólicas;
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Evitar a exposição desnecessária a substâncias cancerígenas.
Esses hábitos favorecem a saúde geral e ajudam a reduzir riscos modificáveis, mas ainda não existem evidências suficientes de que impeçam os cânceres relacionados à alteração no gene TP53.
Fonte: Tua Saúde
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