Mundo

Por que a construção de uma ponte na Coreia do Norte tem preocupado autoridades na Ucrânia


Rússia lança novo ataque contra Kiev, a capital da Ucrânia
O avanço das obras da primeira ponte rodoviária entre a Rússia e a Coreia do Norte preocupa a Ucrânia. Embora Moscou e Pyongyang apresentem o projeto como uma iniciativa para ampliar o comércio e o turismo, autoridades e analistas ucranianos temem que a nova ligação facilite o transporte de equipamentos militares, tropas e suprimentos usados na guerra.
✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp
A ponte atravessa o rio Tumen, conectando Khasan, na Rússia, a Tumangang, na Coreia do Norte. Até agora, a comunicação terrestre dependia principalmente da chamada Ponte da Amizade, uma conexão ferroviária inaugurada em 1959 que fica bem próxima à nova estrutura.
Imagens de satélite indicam que a estrutura principal já foi concluída. A Coreia do Norte terminou a maioria das instalações fronteiriças, enquanto a Rússia ainda finaliza obras de apoio, incluindo postos de controle alfandegário.
Em abril, Pyongyag havia anunciado a inauguração para 19 de junho, mas a solenidade foi adiada devido a atrasos do lado russo. Uma nova data não foi revelada.
Temor de nova rota logística
O líder norte-coreano, Kim Jong-Un, aperta a mão do presidente russo, Vladimir Putin, durante uma cerimônia para marcar o 80º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial, em 2025
KCNA via Reuters
Segundo o jornal britânico The Guardian, as preocupações da Ucrânia ganharam força após uma investigação da organização ucraniana de direitos humanos Truth Hounds.
O estudo revelou que a ponte teria valor estratégico limitado para o comércio, mas poderia servir como corredor logístico militar entre os dois aliados. Isso porque o transporte rodoviário é mais difícil de monitorar por satélite do que o ferroviário.
Caminhões podem utilizar diferentes rotas e realizar operações de carga e descarga mais rapidamente, reduzindo a capacidade de serviços de inteligência ocidentais acompanharem movimentações militares.
O tema ganhou ainda mais relevância após declarações do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, de que Moscou espera receber dezenas de milhares de militares norte-coreanos adicionais para apoiar seu esforço de guerra.
A Coreia do Norte já enviou soldados e armamentos à Rússia, segundo informações divulgadas pela Ucrânia, Coreia do Sul e governos ocidentais.
Moscou fala em comércio
Nova ponte rodoviária fica próxima da atual conexão ferroviária
Yuri Smityuk/TASS/picture alliance
A Rússia rejeita as suspeitas e afirma que a ponte tem fins econômicos. O ministro dos Transportes russo, Andrei Nikitin, afirmou que a nova passagem fortalecerá os laços comerciais e melhorará a logística entre os dois países.
Analistas, porém, questionam essa justificativa. O comércio bilateral oficial, que movimentou apenas US$ 34 milhões em 2024, continua relativamente pequeno para justificar um projeto avaliado em mais de US$ 100 milhões.
Além disso, o turismo internacional na Coreia do Norte permanece fortemente controlado pelas autoridades do país. Em 2025, apenas 10 mil russos visitaram a Coreia do Norte.
A construção da ponte foi acordada durante a visita do presidente russo, Vladimir Putin, a Pyongyang, em 2024, em meio ao aprofundamento da parceria estratégica entre os dois países.
Desde então, a cooperação entre Moscou e Pyongyang vem sendo acompanhada de perto pela Ucrânia e por aliados ocidentais, que veem a aproximação como um fator capaz de prolongar o conflito.
VÍDEOS: agora no g1
Agora no g1

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo