Irã nega envolvimento em conflito dos Houthis com o governo do Iêmen e Arábia Saudita


Houthis tomam cidade estratégica no Iêmen e ameaçam rota do comércio global
O Irã negou, nesta segunda-feira (14), qualquer envolvimento no conflito travado pelos Houthis, grupo extremista do Iêmen que é aliado do regime, com as forças governamentais iemenitas e a Arábia Saudita.
✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp
Em declaração à imprensa, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, afirmou que os houthis são “totalmente independentes” e “tomam suas decisões em função de seus próprios interesses”.
“O Irã não interfere nos assuntos iemenitas”, declarou, anunciando ainda que o governo saudita solicitou o adiamento de uma reunião entre Teerã e as potências do Golfo para apresentar um acordo com Omã sobre a regulamentação das rotas marítimas pelo Estreito de Ormuz.
➡️ Os houthis, que controlam as áreas mais populosas do Iêmen e grande parte do norte do país, vêm lançando ataques contra a Arábia Saudita desde que declararam um bloqueio naval contra Riad em julho, com ataques direcionados a navios sauditas no Mar Vermelho.
Nesta segunda, a Defesa Civil saudita emitiu alertas de perigo em quatro cidades do sul do país. O porta-voz militar do grupo extremista anunciou ter ter atacado a Base Aérea Rei Khalid, em Khamis Mushait, a quinta maior cidade da Arábia Saudita, visando instalações e infraestrutura militar
Esmaeil Baqaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã
REUTERS
O porta-voz da chancelaria iraniana também protestou contra uma decisão da Áustria que impediu o chefe do setor nuclear do Irã, Mohamad Eslami, de participar de uma conferência anual na sede da agência de energia atômica da ONU em Viena.
Ele classificou a medida do governo austríaco de “totalmente injustificável” e a creditou à pressão dos Estados Unidos:
“É evidente para todos nós que este incidente aconteceu devido às pressões dos Estados Unidos, mas isso não exonera o governo austríaco de toda responsabilidade”.
Houthis dominam rota estratégica
Navio navega no Estreito de Bab el-Mandeb em abril de 2026.
Reuters
Na sexta-feira (11), os Houthis chegaram à cidade portuária de Dhubab e à ilha de Perim, ambas no sudoeste do Iêmen e na região do Estreito de Bab el-Mandeb, e ficaram mais próximos de controlar o acesso ao Mar Vermelho.
A movimentação marcou o avanço mais significativo do grupo terrorista iemenita até o momento rumo ao Estreito de Bab el-Mandeb, segundo a agência de notícias. Controlar Dhubab e Perim é vital para controlar o a via marítima, que é uma das mais importantes do mundo por ligar o Mar Vermelho ao Hemisfério Oriental, de acordo com as fontes do governo do Iêmen.
Na quinta-feira, os Houthis já haviam tomado Moca. Apesar dos avanços, o grupo terrorista iemenita disse nesta sexta que o tráfego por el-Mandeb, segunda rota mais importante para o comércio de petróleo, permanecia seguro e ininterrupto.
“A liberdade de navegação e o comércio internacional no Mar Vermelho e em Bab al-Mandab estão seguros e sob controle. (…) Não há motivo para preocupação internacional, pois eles não enfrentam nenhum perigo vindo do lado iemenita”, disse Hazem al-Assad, membro do bureau político Houthi.
Agora no g1
Atualmente, os Houthis travam uma guerra civil contra as forças governamentais do Iêmen, e esse conflito reaqueceu nos últimos meses por conta da guerra do Oriente Médio, que apesar de ser entre EUA, Irã e Israel incitou outros focos de combates pela região. Ao menos 46 mil pessoas fugiram no Iêmen em meio à escalada dos combates no país, segundo a ONU.
Quando o grupo extremista anunciou um bloqueio marítimo contra a Arábia Saudita, fontes de agências de notícia afirmaram que a decisão ocorreu após um pedido do Irã, aliado dos houthis, para que eles atuassem no Estreito de Bab el-Mandeb.





