Petróleo sobe quase 4% e atinge o maior nível em quatro semanas após conflito no Estreito de Ormuz
Os preços do petróleo dispararam nesta terça-feira (14) e atingiram o maior nível em cerca de quatro semanas, depois que a tensão entre Estados Unidos e Irã voltou a aumentar.
O mercado teme que o conflito prejudique o transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de energia do mundo.
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Por volta da manhã, o barril do petróleo Brent, referência internacional, subia 3,8%, para US$ 86,47. Já o WTI, referência nos Estados Unidos, avançava 2,7%, para US$ 80,29.
A alta acontece após o governo do presidente Donald Trump restabelecer um bloqueio naval ao Irã e intensificar os ataques militares contra o país, apesar de um memorando de entendimento assinado em junho que previa o fim das hostilidades.
Segundo analistas, o mercado passou a incorporar o risco de que o acordo entre os dois países não se sustente.
Por que o petróleo está subindo?
O principal motivo é o temor de interrupções no transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, passagem marítima entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã.
Antes do conflito, cerca de 20% de todo o petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo passavam por essa rota.
Nos últimos dias, a região voltou a registrar episódios que aumentaram a preocupação dos investidores:
os Estados Unidos retomaram o bloqueio à navegação iraniana;
o governo americano propôs cobrar uma taxa de 20% para proteger embarcações que cruzam o estreito;
dois navios-tanque dos Emirados Árabes foram atingidos por mísseis iranianos, deixando um tripulante morto e oito feridos;
o número de petroleiros que atravessam o Estreito de Ormuz caiu ao menor nível em dois meses.
Na avaliação de analistas do ANZ, se as interrupções continuarem, o petróleo pode permanecer entre US$ 85 e US$ 90 por barril nas próximas semanas.
Quando o petróleo sobe, aumentam os custos de combustíveis e de transporte em vários países. Isso pode encarecer produtos e serviços, pressionando a inflação.
Nos Estados Unidos, essa preocupação ganhou força justamente no dia em que investidores aguardam a divulgação dos dados de inflação de junho. O receio é que uma nova alta da energia dificulte o trabalho do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, no controle dos preços.
Além disso, declarações recentes de dirigentes do Fed reforçaram a possibilidade de os juros permanecerem elevados — ou até voltarem a subir — caso a inflação continue acima da meta.
Bolsas asiáticas sobem; futuros dos EUA operam sem direção única
A alta do petróleo também influenciou o desempenho dos mercados financeiros nesta terça-feira.
Na Ásia, as bolsas fecharam majoritariamente em alta. Na China, o índice de Xangai avançou 1,36%, enquanto o CSI300, que reúne as maiores empresas de Xangai e Shenzhen, subiu 2,15%. Em Hong Kong, o índice Hang Seng ganhou 0,52%.
No Japão, o índice Nikkei fechou em alta de 0,74%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, avançou 0,73%. Em Cingapura, o Straits Times subiu 0,43%. Já em Taiwan, o Taiex caiu 1,42%, e a bolsa australiana encerrou o pregão praticamente estável.
Na China, o bom humor dos investidores também foi impulsionado pelo avanço de 27% das exportações em junho, na comparação anual em dólares, favorecidas pela forte demanda global por chips e equipamentos voltados à inteligência artificial. As ações do setor de energia tiveram destaque, acompanhando a valorização do petróleo.
Nos Estados Unidos, os contratos futuros das bolsas operavam sem direção única. Os futuros do Dow Jones recuavam cerca de 0,2%, os do S&P 500 estavam próximos da estabilidade e os do Nasdaq avançavam cerca de 0,5%.
Os investidores aguardam a divulgação da inflação ao consumidor (CPI) de junho e o início da temporada de balanços dos grandes bancos americanos, como JPMorgan Chase, Goldman Sachs, Wells Fargo e Citigroup. O mercado também acompanha a possibilidade de que a alta do petróleo volte a pressionar a inflação e reduza o espaço para cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed).






