

‘Jéssica? Cadê você, Jéssica?’: trend faz crianças pararem de chorar; veja cuidados
Uma criança chora copiosamente, quando é interrompida pelo pai ou pela mãe falando, com ar de mistério: “Olha a Jéssica!”, “Jéssica!!!”, “A Jéssica chegou!”. O filho, confuso, interrompe os gritos, faz uma carinha de interrogação e começa a procurar pela tal figura desconhecida.
A técnica, que viralizou em uma trend como uma solução “mágica” para a birra, gera debate entre psicólogos e educadores. Enquanto alguns veem a brincadeira como uma saída lúdica para o momento de descontrole, outros alertam para o risco de anular as emoções infantis e não desenvolver a tão importante habilidade de autorregulação.
Abaixo, entenda o que ocorre no cérebro infantil nesse momento e quando chamar por “Jéssica” pode ser aceitável.
🧠 O ‘sequestro’ da atenção: por que as crianças param de chorar?
Chamar pela ‘Jéssica’ faz crianças pararem de chorar?
Reprodução/Redes sociais
Não, pessoal, “Jéssica” infelizmente não é um nome com propriedades calmantes ou mágicas.
O que ocorre nas cenas postadas nas redes é resultado de um mecanismo psicológico clássico chamado redirecionamento de atenção ou distração ativa. Quando uma criança enfrenta uma crise, fica mergulhada em um turbilhão emocional e sensorial, mas seu cérebro ainda não se desenvolveu a ponto de processar tudo isso.
➡️Nesse contexto, o grito sobre a “Jéssica” funciona como um novo estímulo, externo e inesperado, que compete com a desregulação interna.
“O cérebro da criança troca de foco: sai do choro e vai para ‘o que está acontecendo agora?’. Ela não necessariamente se acalmou — apenas suspendeu a reação motora naquele instante”, explica Bianca Dalmaso, psicóloga do Espaço Einstein.
Luciene Tognetta, professora da Unesp e autora de livros infantis, reforça que, nessa fase, a inteligência é prática: segundo o psicólogo suíço Jean Piaget (1896-1980), a criança pequena constrói conhecimento por meio de manipulação de objetos e de experiências sensoriais, mesmo antes de desenvolver o pensamento simbólico ou a linguagem mais avançada.
Por isso, estratégias práticas que a tirem da situação de caos emocional podem ajudar na regulação.
“A criança para de chorar porque é transportada para outra situação. A mãe deixa de alimentar o conflito e propõe um novo cenário, em vez de reagir com violência ou insistir no problema. Ela pode, em vez de falar ‘Jéssica’, dizer: ‘olha o passarinho passando ali! Não acredito, ele voou por cima da cerca!’”, exemplifica.
“Mudando a entonação da voz e chamando atenção para um elemento externo, ela consegue mudar o foco do filho.”
Mas, atenção: quando o choro não for de birra, a técnica provavelmente não funcionará.
“Os pais têm de interpretar o sofrimento da criança, interpretar por que que ela está daquele jeito. Nos casos em que ela já está cansada, passou o dia inteiro brincando na escola ou coisa assim, ou em casos que juntam o cansaço com a fome, ela não parará de chorar”, afirma Bruno Jardini Mäder, coordenador do curso de Psicologia da Faculdades do Pequeno Príncipe e mestre em Psicologia.
Segundo o especialista, a necessidade pode ser tão forte que o redirecionamento não vai dar conta. Serão necessárias outras estratégias de regulação, com foco no acolhimento.
🎭 O poder de inventar novas realidades
O sucesso do método, portanto, reside na capacidade dos pais de inventarem situações surreais que dialoguem com o imaginário infantil.
Essa “fantasia de emergência” é um recurso válido, desde que não se transforme em ameaça.
O uso saudável: Criar cenários lúdicos e absurdos para desarmar a tensão e retomar a leveza.
O limite ético: Transformar a figura em um agente de punição.
“Se a frase for ‘se não obedecer, a Jéssica vai te pegar’, entramos no campo do medo. A criança passa a agir por temor a uma entidade superior, e não por compreender a necessidade da regra”, alerta Tognetta.
⚠️ O risco do ‘atalho’ emocional
Birra de criança
Jep Gambardella/Pexels
Embora a técnica possa parecer eficaz para silenciar o choro no supermercado ou no meio do trânsito, o uso repetitivo dela pode criar um vácuo em uma área importante do desenvolvimento infantil: a da compreensão das próprias emoções.
A birra é a expressão de uma expectativa frustrada. Para o adulto, uma promoção negada pelo chefe causa chateação; para a criança, ser impedida de ver um desenho tem o mesmo peso emocional.
Mäder explica que os pais devem ser o “apoio cognitivo maduro” do filho neste momento. Se distraí-lo for a única ferramenta usada, ele perde a oportunidade de aprender a nomear o que sente.
“Suprimir a birra rapidamente apenas para aliviar o desconforto dos pais impede que o filho desenvolva tolerância ao desagrado. É assim que surgem as dificuldades de lidar com o ‘não’ no futuro”, diz o psicólogo.
A criança pode entender algo como:
“não posso mostrar quando estou mal”;
“minha emoção precisa parar rápido”;
“alguém de fora resolve isso por mim”.
E isso leva:
à dificuldade para lidar com frustração;
a mais explosões em outros momentos;
ou a crianças que “engolem” o que sentem.
“Ou seja: resolve no momento, mas não ensina a criança como ela pode se regular emocionalmente”, afirma Bianca Dalmaso, do Einstein.
🛠️ Como agir em cada fase?
Como não existe fórmula mágica, a recomendação é diversificar as estratégias. Nem sempre o redirecionamento é o caminho; muitas vezes, a validação do sofrimento é o que traz a solução a curto e a longo prazo.
Até 2 anos
Estratégia recomendada: contato físico, colo e tom de voz sereno
Objetivo pedagógico: regular o sistema nervoso e oferecer segurança
2 a 5 anos
Estratégia recomendada: validar a emoção (“eu entendo que você está triste”), mas estabelecer um limite
Objetivo pedagógico: nomear o sentimento e ensinar que a frustração faz parte da vida
Acima de 6 anos
Estratégia recomendada: diálogo sobre soluções e técnicas de autorregulação (como respiração)
Objetivo pedagógico: estimular a autonomia e a resolução de problemas
📱 Reflexão: a ética da exposição
Além do impacto no desenvolvimento, há outra questão envolvida na trend: a espetacularização do sofrimento infantil. Vale a pena registrar o filho em um momento de descontrole para divertir os seguidores e ganhar curtidas?
É inegável que ver uma criança parar de chorar e fazer cara de dúvida pode ser algo fofinho. Mas pense bem:
“Se um adulto fosse filmado chorando em uma situação de vulnerabilidade, consideraríamos uma invasão de privacidade. Com a criança, o cuidado deve ser redobrado”, explica Mäder.
O vídeo da “Jéssica” pode ser engraçado para quem assiste, mas é o registro de um momento de insegurança que, uma vez na rede, foge do controle da família: pode virar munição para comentários externos ou constrangimentos futuros na escola.
Fonte: g1 > Educação
Não importa o tamanho da sua empresa ou seu ramo de atuação. Qualquer atividade comercial precisa necessariamente do desenvolvimento de sites para estar presente na internet.
Em um mundo globalizado, ter um site na internet não é mais um luxo para poucos, e sim uma regra geral para empresas que querem sobreviver em um mercado cada vez mais competitivo.
Novos Clientes
Já imaginou que você pode vender para todo o país, ou melhor, para todo o mundo através da internet? Pois bem, seu site fica disponível para ser acessado pelo mundo todo.






