Saúde

Diabetes gestacional: o que é, sintomas, causas e tratamentos

O diabetes gestacional é uma condição caracterizada pelo aumento da glicose no sangue e que raramente causa sintomas. Entretanto, em alguns casos, pode causar visão turva, ganho excessivo de peso e sede excessiva, por exemplo.

Esse tipo de diabetes é mais comum de surgir após a 24ª semana da gravidez, podendo ser provocado pela resistência à insulina causada pelos hormônios da gravidez.

O tratamento do diabetes gestacional deve ser feito pelo obstetra ou endocrinologista, podendo incluir dieta, exercícios físicos e medicamentos, para evitar complicações para a mãe e para o bebê, como parto prematuro ou hipoglicemia após o nascimento, por exemplo.

Leia também: Especialistas em diabetes gestacional: qual médico consultar?

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Imagem ilustrativa número 1

Sintomas de diabetes gestacional

Os principais sintomas de diabetes gestacional são:

  • Aumento do apetite;
  • Boca seca;
  • Excesso de sede;
  • Ganho excessivo de peso;
  • Vontade frequente para urinar;
  • Visão turva;
  • Infecções urinárias frequentes;
  • Cansaço excessivo.

Entretanto, a maioria dos casos de diabetes gestacional não causa sinais ou sintomas. Por esse motivo, o diagnóstico geralmente é realizado durante os exames de rotina do pré-natal, por meio da avaliação dos níveis de glicose no sangue. Confira os possíveis sintomas de diabetes gestacional.

Diabetes gestacional é considerada gravidez de risco?

O diabetes gestacional é considerado gravidez de risco, pois pode aumentar o risco de complicações tanto para a mãe quanto para o bebê. Por isso, a mulher com diabetes gestacional deve ser acompanhada regularmente pelo médico, nas consultas de pré-natal.

Leia também: Gravidez de risco: o que é, sintomas, causas e cuidados

tuasaude.com/gravidez-de-risco

Como confirmar o diagnóstico

O diagnóstico de diabetes gestacional é feito pelo obstetra através de exames de sangue que medem os níveis de glicose. Confira para que serve o exame de glicose na gravidez.

Para confirmar o diagnóstico de diabetes gestacional, o médico pode solicitar o teste oral de curva glicêmica.

Leia também: Exames na gravidez: quais precisa fazer (e complementares)

tuasaude.com/exames-na-gravidez

Diabetes gestacional valores

Os valores de glicose no sangue onde se considera diabetes gestacional são:

Exame
Valores de diabetes gestacional

Glicemia em jejum
Maior ou igual a 92 mg/dL e abaixo de 126 mg/dL.

Curva glicêmica de 2 horas com 75 gramas de glicose

Jejum: maior ou igual a 92 mg/dL;

1 hora após a ingestão de glicose: maior ou igual a 180 mg/dL;

2 horas após a ingestão de glicose: maior ou igual a 153 mg/dL.

O exame de glicemia de jejum deve ser feito no início da gestação e entre a 24ª e a 28ª semana de gravidez, mesmo quando a mulher não apresenta sinais e sintomas sugestivos de diabetes.

Já a curva glicêmica é feita rotineiramente entre as 24 e 28 semanas da gravidez, como parte dos exames pré-natais.

Leia também: Curva glicêmica: o que é, para que serve e (valor de referência)

tuasaude.com/exame-da-curva-glicemica

Calculadora da glicemia

Para saber se é diabetes gestacional, insira o resultado do seu exame na calculadora a seguir:

{CALCULADORA_ANALISES_GLICEMIA}

Este teste de sintomas é apenas uma ferramenta de orientação e, por isso, não serve como diagnóstico ou substitui a consulta com o obstetra ou o endocrinologista.

O que causa a diabetes gestacional

O diabetes gestacional surge quando as alterações hormonais da gravidez aumentam a resistência à insulina e o organismo não consegue produzir insulina suficiente para manter os níveis de glicose sob controle. Como resultado, ocorre o aumento da glicose no sangue, caracterizando o diabetes gestacional.

Fatores de risco

Alguns fatores que podem aumentar o risco da diabetes gestacional são:

  • Sobrepeso ou obesidade antes ou durante a gravidez;
  • Idade materna avançada;
  • Sedentarismo;
  • Histórico familiar de diabetes mellitus, especialmente pai ou mãe;
  • Diabetes gestacional em gravidez anterior;
  • Ter tido bebê com peso maior do que 4 Kg em gravidez anterior;
  • Pré-diabetes;
  • Pressão alta;
  • Histórico de doenças cardíacas;
  • Síndrome dos ovários policísticos.

O diabetes gestacional também pode surgir em mulheres sem fatores de risco.

Além disso, o diabetes gestacional pode surgir em qualquer fase da gravidez. No entanto, é mais comum a partir da 24ª semana da gravidez, especialmente no terceiro trimestre.

Tratamentos para diabetes gestacional

Os principais tratamentos para diabetes gestacional são:

1. Dieta no diabetes gestacional

A dieta no diabetes gestacional deve ser orientada pelo nutricionista, sendo recomendado priorizar os alimentos saudáveis e com baixo índice glicêmico, como frutas com casca, cereais integrais, leguminosas e vegetais

É recomendado também evitar evitar doces, refrigerantes, sucos com açúcar e alimentos muito carboidratos simples. Veja mais sobre a dieta para diabetes gestacional.

2. Medição da glicemia

É importante fazer a medição da glicemia capilar diariamente para acompanhar a variação ao longo do dia. Além disso, de acordo com os níveis de glicose, o nutricionista também pode alterar o plano alimentar.

A medição da glicemia capilar pode ser feita através da coleta de uma gota de sangue na ponta do dedo, que em seguida é lida pelo glicosímetro. Essa medição deve ser feita diariamente, cerca de quatro vezes ao dia: em jejum e uma ou duas horas após as principais refeições.

Leia também: Glicemia capilar: o que é, como medir e valores de referência

tuasaude.com/como-medir-a-glicemia

Uma outra opção para acompanhar a glicose durante a gestação é utilizar um sistema de monitoramento contínuo da glicose (CGM), como o FreeStyle Libre 2, da Abbott. O sensor FreeStyle Libre 2 Plus é um pequeno sensor aplicado na parte posterior superior do braço que monitora continuamente os níveis de glicose.

As leituras são enviadas automaticamente para o smartphone com o aplicativo FreeStyle LibreLink, desde que o sensor e o smartphone estejam conectados e próximos, permitindo acompanhar as tendências da glicose ao longo do tempo.

As informações também podem ser visualizadas por meio do leitor FreeStyle Libre 2, com um rápido scan. Dessa forma, a gestante pode compreender melhor como fatores como alimentação, atividade física e medicamentos afetam seus níveis de glicose.

Leia também: Monitoramento contínuo de glicose na gravidez: benefícios (e como funciona)

tuasaude.com/monitoramento-de-glicose-na-gravidez

3. Prática de exercícios físicos

A prática de exercícios físicos regulares durante a diabetes gestacional, promove diminuição dos níveis de glicose no sangue.

A recomendação geralmente é de 30 minutos de exercícios aeróbicos de intensidade moderada, como caminhada, natação, bicicleta ergométrica, pilates e yoga, na maioria dos dias, totalizando pelo menos 150 minutos por semana, desde que não haja contraindicações médicas.

Entretanto, as grávidas com diabetes gestacional devem adotar alguns cuidados ao praticar atividades físicas, como manter uma alimentação adequada e garantir uma boa hidratação antes, durante e após os exercícios.

Além disso, deve-se ter atenção à intensidade do exercício e prestar atenção no aparecimento de algum sintomas, como sangramento vaginal, contrações uterinas, perda de líquido amniótico, fraqueza muscular e dificuldade para respirar antes do exercício.

Leia também: 13 sinais de alerta para a grávida ir ao hospital

tuasaude.com/sinais-que-a-gravidez-nao-vai-bem

4. Uso de remédios

O uso de remédios para diabetes gestacional são indicados pelo médico quando os níveis de glicose não regularizam, mesmo com mudanças nos hábitos alimentares e práticas de exercícios de forma regular.

Assim, o obstetra ou o endocrinologista pode indicar o uso de hipoglicemiantes orais, como metformina, ou de insulina, por exemplo.

Riscos da diabetes gestacional

Os possíveis riscos da diabetes gestacional para a mãe e o bebê são:

Riscos para a grávida
Riscos para o bebê

Parto prematuro
Síndrome da angústia respiratória neonatal, que é a dificuldade para respirar ao nascer

Trabalho de parto difícil, devido ao tamanho do bebê
Prematuridade e malformações

Laceração vaginal grave e hemorragia excessiva, devido ao tamanho do bebê
Hipoglicemia após o nascimento

Parto cesárea
Bebê muito grande para a idade gestacional (macrossomia)

Pressão alta, pré-eclâmpsia ou eclâmpsia
Icterícia

Infecções urinárias frequentes
Obesidade ou diabetes tipo 2 na infância ou adolescência

Aborto espontâneo
Diminuição da oxigenação durante o parto

Acúmulo excessivo de líquido amniótico no útero
Óbito logo após nascer

Risco de óbito materno
Traumas, como fraturas na clavícula ou úmero, ou lesões em nervos, devido ao tamanho elevado

Além disso, a diabetes gestacional também pode aumentar o risco da mulher desenvolver diabetes tipo 2 ao longo da vida e diabetes gestacional em gravidezes futuras.

Diabetes gestacional tem cura?

Normalmente, o diabetes gestacional desaparece logo após o parto. Entretanto, essa condição deve ser tratada, pois pode causar problemas para a mãe e para o bebê.

Além disso, é importante que mulheres que tiveram diabetes gestacional mantenham o acompanhamento médico após o parto. Como parte desse acompanhamento, pode ser recomendado um novo teste de sobrecarga de glicose cerca de 6 semanas após o parto.

Como evitar a diabetes gestacional

Algumas medidas que podem ajudar a diminuir o risco da diabetes gestacional são:

  • Engravidar com um peso adequado;
  • Evitar o ganho de peso excessivo durante a gravidez;
  • Fazer o pré-natal;
  • Manter uma alimentação saudável e variada;
  • Praticar exercícios moderados e regularmente.

Entretanto, é importante lembrar que a diabetes gestacional nem sempre pode ser evitada, pois está associada às alterações hormonais próprias da gravidez.

Como é o pós-parto

Logo após o parto, a glicemia deve ser medida a cada 2 a 4 horas, de forma a prevenir a hipoglicemia e a cetoacidose, que são comuns neste período. Antes da alta hospitalar, a glicemia da mãe deve ser medida, para verificar se está normalizada.

Geralmente, os antidiabéticos orais são suspensos, porém algumas mulheres precisam continuar tomando estes remédios após o parto, depois de uma avaliação pelo médico.

Além disso, o teste de intolerância à glicose ou uma glicemia de jejum deve ser feito de 6 a 8 semanas após o parto, para confirmar se o diabetes gestacional desapareceu. Se o teste estiver normal, deve-se realizar ao menos uma glicemia de jejum anualmente.

Mulheres com diabetes gestacional devem amamentar logo após o parto, para diminuir o risco de hipoglicemia neonatal. A amamentação também deve ser mantida por, no mínimo, seis meses, para reduzir o risco da mãe desenvolver diabetes tipo 2.

É fundamental também que a mulher mantenha uma dieta saudável e realize atividades físicas regularmente, para manter o peso adequado e diminuir o risco de desenvolver diabetes no futuro.


Fonte: Tua Saúde

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