Trump diz que acordo para reabrir Estreito de Ormuz pode ser fechado nesta quarta


Trump diz que Irã tem só mais uma chance para negociar a paz
Jornal Nacional/ Reprodução
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que um acordo sobre o Estreito de Ormuz poderia ser fechado já na quarta (5) ou quinta-feira (6), enquanto o Irã e Omã se aproximavam de um acordo para reabrir a importante via navegável e potencialmente ajudar a pôr fim à guerra.
✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp
Trump foi questionado por repórteres que viajavam com ele na Califórnia sobre uma reportagem do site de notícias Axios, que afirmava que um anúncio sobre o Estreito de Ormuz poderia ser feito na quarta-feira.
“Pode acontecer. Amanhã ou depois de amanhã”, disse ele, falando na noite de terça-feira, horário da Califórnia, que já era manhã de quarta-feira no Oriente Médio. “Muitos progressos foram feitos.”
Os preços do petróleo recuaram em meio à expectativa de avanços em um acordo que permitiria aos petroleiros voltarem a sair livremente do Golfo Pérsico e a transportar petróleo bruto pelo mundo. O petróleo Brent, referência internacional, caiu 1,2%, para US$ 78,43 o barril, no início da quarta-feira.
Irã quer controlar entrada de navios e ter ‘poder de intervenção’ em Ormuz
Trump já afirmou que os EUA irão controlar o Estreito de Ormuz e bloquear o acesso aos portos iranianos
REUTERS
O acordo prevê que as rotas sejam controladas pelo Irã e por Omã
O possível acordo resultante das negociações entre o Irã e Omã prevê que os navios entrem no Golfo Pérsico por uma rota controlada pelo Irã e saiam por uma rota controlada por Omã, disseram dois funcionários regionais à Associated Press. Seriam cobradas taxas de serviço para garantir a segurança e preservar o meio ambiente marítimo, afirmaram os funcionários.
Os funcionários falaram sob condição de anonimato para discutir as negociações delicadas.
O governo Trump já havia descartado qualquer acordo que desse ao Irã o controle do estreito, que era uma via navegável internacional aberta antes do ataque dos EUA e de Israel ao Irã em 28 de fevereiro . Cerca de um quinto do petróleo e do gás natural do mundo passava pelo estreito, mas o tráfego marítimo por essa via foi reduzido a um mínimo, na melhor das hipóteses, devido aos ataques iranianos desde o início da guerra.
Em uma conversa com repórteres na segunda-feira, o presidente dos EUA reiterou sua oposição pública à cobrança de pedágio no estreito. “Não vou deixar que cobrem”, disse Trump. “Se alguém quiser cobrar, nós também cobraremos.”
Autoridades regionais afirmaram que as negociações ainda estão em andamento e que o acordo final poderá assumir uma forma diferente, estando qualquer acordo condicionado ao levantamento do bloqueio americano aos portos iranianos.
Esmail Baghaei Hamaneh, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã.
Foad Ashtari / SOPA Images via Reuters
Autoridades americanas e iranianas afirmam que estão sendo feitos progressos
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou na terça-feira que as negociações entre Teerã e Omã estavam focadas em “estabelecer rotas marítimas seguras de entrada e saída”, rotas que “respeitem os direitos soberanos e, ao mesmo tempo, abordem as considerações de segurança nacional tanto do Irã quanto de Omã”.
“Os resultados finais dessas negociações serão anunciados assim que forem concluídas”, acrescentou ele, segundo a agência de notícias estatal iraniana IRNA.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, confirmou que houve progresso nessas negociações, “mas ainda não há uma conclusão definitiva”.
Rubio já havia descartado qualquer acordo que desse ao Irã o controle do estreito, afirmando no mês passado que isso criaria um “precedente muito perigoso” para outras partes do mundo.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse à CNBC que “existe a possibilidade de chegarmos a um acordo hoje ou amanhã para reabrir o estreito e avançarmos rumo a uma posição mais normalizada neste conflito”.
Países árabes buscam mediar o fim da guerra
O emir do Catar, Sheikh Tamim bin Hamad Al Thani, disse que também conversou com Trump por telefone na terça-feira, enquanto o país árabe tenta intermediar uma solução para a guerra.
O gabinete de Al Thani afirmou que os dois discutiram formas de superar as divergências “de uma maneira que aumente as chances de se chegar a uma solução diplomática sustentável para a crise”.
Trump está sob crescente pressão para encerrar uma guerra impopular que elevou os preços da gasolina às vésperas das eleições de meio de mandato e reduziu os estoques americanos de algumas munições . Nos últimos dias, ele voltou a ameaçar com ataques massivos e a expressar apoio a esforços diplomáticos.
Trump afirmou na segunda-feira que os EUA estavam em negociações com o Irã, dizendo que essa era a “última chance” de Teerã chegar a um acordo e evitar outra escalada militar por parte dos EUA.
“A primeira fase é a abertura do estreito. A segunda fase será a desnuclearização”, disse Trump. “E isso levará algum tempo.”
O Irã negou estar negociando com os EUA, afirmando que as conversas são apenas com Omã.
Um marinheiro iemenita ocupa a posição de metralhadora a bordo de uma embarcação que patrulha uma rota marítima próxima à ilha de Hanish, no Mar Vermelho
Khaled Ziad / AFP
Navios atacados no Estreito de Ormuz e no Mar Vermelho
Um navio comercial com bandeira indiana afundou na terça-feira no Mar Vermelho, próximo ao Iêmen, após ser atingido por uma embarcação carregada de explosivos, informaram autoridades iemenitas e indianas.
A guarda costeira do Iêmen resgatou a tripulação, que incluía 13 indianos e um iemenita.
Não houve reivindicação imediata de responsabilidade, mas os militantes houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, atacaram repetidamente navios que atravessavam o Mar Vermelho perto do Iêmen.
No mês passado, os houthis anunciaram o fechamento do Estreito de Bab el-Mandeb, que dá acesso ao Mar Vermelho, para a navegação ligada à Arábia Saudita, em retaliação ao bloqueio do reino ao Iêmen e a um ataque ao aeroporto internacional de Sanaa, capital do Iêmen controlada pelos rebeldes.
Na manhã de terça-feira, um navio cargueiro relatou ter sido “atingido por um projétil desconhecido” enquanto atravessava o Estreito de Ormuz, de acordo com o Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido.
O centro informou que o suposto ataque danificou a embarcação por volta das 2h da manhã, horário local, quando ela se encontrava a cerca de 37 quilômetros (23 milhas) a nordeste de Al Khasab, uma cidade portuária em Omã. A empresa britânica de segurança marítima Ambrey afirmou que o navio sofreu danos.
Presidente do Irã diz que país não quer expandir a guerra
Trump diz que Irã deve escolher entre ‘acordo’ ou ‘rendição total’: ‘É a última chance deles’
Israel transmite aos Estados Unidos suas ‘preocupações’ sobre o plano para desocupação de Gaza
Agora no g1





