Mediador, Paquistão se reúne com Irã enquanto EUA ameaçam “Dia D econômico”

O chefe do Exército do Paquistão está em Teerã, nesta segunda-feira (24), para uma missão de mediação, enquanto os Estados Unidos se preparam para lançar “a maior ofensiva financeira de todos os tempos” contra os parceiros comerciais do Irã.
O Irã rejeitou a ameaça americana, prometendo interromper todas as exportações de petróleo do Golfo “se a guerra econômica continuar”.
O país emitiu um novo alerta para que as embarcações não transitem pelo Estreito de Ormuz sem sua permissão, listando 45 navios que, segundo ele, violaram suas regras e ameaçando retaliar contra qualquer transferência de carga entre eles.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, prometeu revelar medidas severas contra o Irã, que sofre sanções econômicas quase contínuas desde a Revolução Islâmica de 1979, em uma coletiva de imprensa às 15h (horário de Brasília) desta segunda-feira.
“Ao amanhecer começa um Dia D econômico – a maior ofensiva financeira já orquestrada contra um adversário”, escreveu Bessent em um artigo de opinião publicado no Financial Times no domingo.
O chefe do Exército paquistanês, Asim Munir, que construiu uma relação pessoal com o presidente dos EUA, Donald Trump, chegou ao Irã nesta segunda-feira para negociações, informou a mídia estatal iraniana.
O Paquistão afirmou que a visita fazia parte de seus esforços “para promover a paz e a estabilidade regional”, e uma fonte paquistanesa disse que Munir deveria se encontrar com pessoas próximas ao líder supremo do Irã.
Duas fontes paquistanesas disseram que Trump telefonou para Munir na semana passada, e outra afirmou que o principal pedido era para que o Irã retomasse as negociações.
A Casa Branca não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
Os EUA e o Irã não realizam ataques aéreos contra as forças armadas um do outro há semanas, mas suas últimas negociações presenciais oficiais para pôr fim ao conflito de seis meses aconteceram em junho, e os ataques a embarcações no Estreito de Ormuz continuaram.
Um projétil atingiu um navio-tanque a oeste da cidade portuária saudita de Yanbu, no Mar Vermelho, nesta segunda-feira, causando um incêndio no convés principal, informaram observadores marítimos das Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido.
Eles não revelaram quem lançou o projétil. Os aliados houthis do Irã disseram no mês passado que bloqueariam as exportações de petróleo saudita desviadas para o Mar Vermelho para evitar o Estreito de Ormuz.
Milhares de pessoas morreram, a maioria no Irã e no Líbano, desde que os EUA e Israel iniciaram os ataques em 28 de fevereiro, degradando grande parte da capacidade militar convencional do Irã e causando prejuízos econômicos, além de terem matado o então líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei.
Ainda assim, o Irã preservou capacidade suficiente de mísseis e drones para atacar seus vizinhos do Golfo e praticamente paralisar a navegação no Estreito de Ormuz, elevando os preços mundiais dos combustíveis.
O estado exato do programa nuclear iraniano, que os americanos e israelenses pretendem eliminar, permanece desconhecido.

Os preços do petróleo recuaram nesta segunda-feira, após duas semanas de ganhos.
Sem detalhar medidas específicas, Bessent sinalizou que os EUA visariam “nações temerosas” que praticam “apaziguamento” ao se envolverem com a economia e o sistema financeiro do Irã.
“Fariam bem em considerar as consequências de manter essa política”, escreveu ele no Financial Times.
O Irã vem se preparando para as sanções há dias, emitindo uma série de declarações que insinuam uma grande resposta militar.
Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, sugeriu no domingo uma retaliação econômica.
“Se a guerra econômica continuar, nem uma única gota de petróleo será exportada, nem pelo Estreito de Ormuz nem de qualquer lugar no Golfo Pérsico”, escreveu Rezaei em uma publicação nas redes sociais.
“O Irã considerará a participação ou o apoio de qualquer país à guerra econômica dos EUA contra o povo iraniano como um ato de guerra”, concluiu.
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Fonte da Matéria: CNN Brasil






