Mundo

‘Eu tinha a sensação de que ia morrer’: sobreviventes relatam impacto da epidemia de ebola no Congo


Fantástico mostra o sofrimento em torno do surto de ebola que matou quase 4 mil em 4 meses
A epidemia de ebola que avança na República Democrática do Congo já deixou milhares de mortos e uma legião de sobreviventes marcados por perdas, traumas e lembranças difíceis. Em meio ao maior surto já registrado no país, pacientes que conseguiram vencer a doença agora ajudam a cuidar de outras vítimas e relatam os desafios enfrentados durante e após a infecção.
Entre eles está uma estudante de medicina que contraiu o vírus, ficou internada e hoje trabalha com crianças afetadas pela doença. Ela lembra do medo vivido durante o tratamento.
“Eu fiquei apavorada durante a minha internação. Eu tinha a sensação de que ia morrer a qualquer momento. Eu vi outras pessoas morrendo e isso traumatiza”, afirmou.
Após receber alta, ela decidiu permanecer em uma creche que acolhe crianças vítimas do ebola. Segundo a estudante, o trabalho se tornou uma forma de ajudar pessoas que enfrentam o mesmo sofrimento que ela viveu.
“Eu gosto muito de ficar com as crianças porque eu adoro pediatria. Amo cuidar deles, vê-los sorrir. Não é fácil perder a mãe tão novinho, ficar sem ninguém e ter que se adaptar a alguém desconhecido”, disse.
Fantástico acompanha combate ao ebola, que avança em meio a crise humanitária na República Democrática do Congo
Epidemia de ebola na República Democrática do Congo matou quase 4 mil pessoas desde maio
Reprodução/TV Globo
De paciente a cuidador
Outro sobrevivente acompanhou a reportagem após perder 12 parentes para a doença. Ele contou que procurou ajuda médica logo após apresentar sintomas, recebeu resultado positivo para ebola e iniciou o tratamento imediatamente.
“Eu logo fui atendido e o teste deu positivo. O tratamento começou imediatamente, mesmo sabendo que era Ebola, isso me tranquilizou”, relatou.
Depois da recuperação, ele passou a atuar ao lado das equipes médicas nos centros de tratamento. Por ter desenvolvido imunidade ao vírus, ajuda no cuidado de pacientes e reduz a exposição de profissionais de saúde ao risco de contaminação.
Epidemia de ebola na República Democrática do Congo: saiba como ajudar
Centenas de órfãos
As consequências da epidemia vão além dos hospitais. O surto deixou centenas de crianças órfãs e separou famílias inteiras. Uma das histórias retratadas é a de um bebê considerado um caso raro de sobrevivência. A mãe morreu durante o parto e o pai faleceu dias depois, ambos vítimas do ebola, mas a criança conseguiu superar a doença.
Outra menina sobreviveu depois de perder toda a família para o vírus. Histórias como essas têm se tornado comuns em uma região onde o avanço da doença se soma à pobreza, aos conflitos armados e às dificuldades do sistema de saúde.
Toiabo Ale, bebê prematuro que nasceu contaminado pelo ebola e que perdeu a mãe no parto e o pai, dias depois
Reprodução/TV Globo
Medo ainda atrapalha combate à doença
Apesar dos esforços de organizações humanitárias e equipes médicas, o medo continua sendo um dos principais obstáculos ao controle da epidemia. Segundo a reportagem, muitas pessoas ainda evitam os centros de tratamento por desconfiança ou falta de informação.
A situação preocupa autoridades de saúde porque parte significativa dos pacientes só busca ajuda quando a doença já está avançada. Em muitos casos, familiares tentam cuidar dos doentes em casa, aumentando o risco de novas transmissões.
Centro de Tratamento de Ebola dos Médicos Sem Fronteiras (MSF), na República Democrática do Congo
Reprodução/TV Globo
A estudante de medicina Neema decidiu cuidar de órgãos do ebola na República Democrática do Congo
Reprodução/TV Globo
A cada quatro mortes de ebola, três foram na cidade de Bunia e arredores
Reprodução/TV Globo

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo