Entenda o efeito Dunning-Kruger e por que quem menos entende de um assunto costuma ser justamente quem fala com mais certeza absoluta

Quem nunca esbarrou em alguém nas redes sociais dando palpite cheio de propriedade sobre economia, inteligência artificial ou a escalação da Seleção Brasileira? Essa coragem toda para opinar sobre o que não se domina pode parecer um contrassenso, já que o natural seria esperar tanta convicção apenas de quem passou anos estudando o assunto.
A psicologia mostra que quanto menos a gente sabe, mais acha que sabe. Batizado em 1999 como efeito Dunning-Kruger, o fenômeno foi investigado por David Dunning e Justin Kruger. Em um estudo clássico publicado no Journal of Personality and Social Psychology, a dupla aplicou testes de lógica e gramática a voluntários e pediu que cada um avaliasse o próprio desempenho.
Confiança nas alturas e o papel do conhecimento raso
O resultado foi divertido e curioso: quem tirou as melhores notas achou que tinha ido mal, enquanto a turma dos 25% piores tinha certeza de estar entre os melhores. A explicação é bem simples: para saber o tamanho do nosso desconhecimento, precisamos de ao menos uma pontinha de bagagem. Sem ela, conceitos complexos parecem fáceis demais.
É o caso de quem resolve caça-palavras e acha que tiraria de letra uma prova de cálculo avançado. Como a pessoa nunca viu integrais na vida, sua mente nem percebe os tropeços. E vale notar: isso não é falha de caráter ou soberba, mas um truque do cérebro humano ao qual todos nós estamos sujeitos em alguma área.
Do volante aos tabuleiros de xadrez
Pesquisas mostram o viés em ação até em 80% dos motoristas, que juram dirigir acima da média, assim como em engenheiros, golfistas, enxadristas, investidores e até crianças tentando explicar o mundo. Nossos cérebros adoram juntar pontinhas soltas e criar histórias coerentes, mesmo com dados incompletos.
Por outro lado, quem realmente domina um assunto sofre do mal oposto: acha tudo tão óbvio que supõe que os outros também já sabem, além de ficar cada vez mais consciente de tudo o que ainda falta aprender. A boa notícia é que o efeito passa assim que recebemos feedbacks claros. Ouvir opiniões e reconhecer tropeços é o melhor remédio para não virar meme.
Fonte da Matéria: CNN Brasil


