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ClubpetroCARTA ABERTA AO PRESIDENTE LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA

Excelentíssimo Sr. Presidente,

Como revendedores de combustíveis, recebemos com surpresa e preocupação suas recentes declarações sobre o papel dos intermediários na formação do preço dos combustíveis. Em seu discurso, o senhor sugeriu que “o consumidor é assaltado pelo intermediário” e que a Petrobras não tem responsabilidade sobre o preço final pago pelo povo brasileiro. No entanto, gostaríamos de esclarecer alguns pontos fundamentais que não podem ser ignorados.

  1. Margem baixa, culpa alta
    Os postos de combustíveis são o último elo da cadeia de comercialização e operam com margens extremamente reduzidas. Dados do setor mostram que a maior parte do valor pago pelo consumidor é composta por tributos federais e estaduais, custos de distribuição e logística, além do preço de aquisição na refinaria. A margem líquida de um posto de combustíveis é, muitas vezes, inferior a R$ 0,50 por litro e, mesmo assim, somos apontados como vilões quando os preços sobem.
  2. Política de preços: quem define o valor?
    A Petrobras, como empresa estatal sob gestão do governo, tem um papel fundamental na precificação dos combustíveis. A política de preços adotada, baseada no mercado internacional, impacta diretamente o valor repassado às distribuidoras e, consequentemente, aos postos. Ignorar essa influência e transferir a culpa exclusivamente para intermediários é, no mínimo, uma simplificação perigosa da realidade.
  3. Tributação: o peso do governo no preço final
    O ICMS, tributo estadual, pode representar até 30% do preço da gasolina. Além disso, há a incidência de PIS/Cofins e CIDE, tributos federais que também impactam o valor final pago pelo consumidor. Se o governo realmente deseja reduzir o preço dos combustíveis, por que não discutir uma reforma tributária justa que alivie esse peso?
  4. Venda direta: simples no discurso, complexa na prática A ideia de venda direta às grandes empresas pode soar como uma solução rápida, mas ignora a realidade do setor. A logística de distribuição envolve custos operacionais, infraestrutura e segurança, elementos essenciais para garantir o abastecimento nacional de forma eficiente. Reduzir a intermediação sem planejamento pode criar desequilíbrios no mercado, afetando postos pequenos e consumidores em regiões mais afastadas.
    Nosso apelo: diálogo e responsabilidade Senhor Presidente, não somos vilões. Somos trabalhadores que garantem o abastecimento do país, geram empregos e operam em um setor altamente regulado e tributado.
    O que pedimos é um diálogo aberto e honesto, baseado em dados e na realidade econômica do setor. A solução para os altos preços dos combustíveis não está em apontar culpados, mas sim em buscar medidas concretas que beneficiem toda a cadeia e, principalmente, o consumidor brasileiro.
    Estamos dispostos a contribuir com propostas e soluções. O Brasil precisa de políticas públicas eficazes, não de narrativas simplistas que apenas jogam
    uns contra os outros.
    Atenciosamente,
    ClubPetro

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