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Câmara Municipal debate regulamentação do “Grau” e aponta para criação de espaço dedicado ao esporte

Na sessão ordinária desta terça-feira (23), parlamentares debateram questões vinculadas à prática do “grau” (manobras de empinar motocicletas) e sinalizaram a busca de consenso para a criação de um espaço seguro e regulamentado da modalidade.

A discussão, que contrapôs a percepção da prática como crime à sua defesa como esporte, foi catalisada pela fala de Thiancle Araújo, ex-prefeito de Castro Alves e representante do Grupo Pilotos 075, que defendeu enfaticamente: “Grau não é crime, ‘grauzeiro’ não é bandido”.

Araújo, advogado por formação, argumentou que o Código de Trânsito Brasileiro se aplica apenas a vias abertas à circulação e não a espaços fechados para eventos esportivos. Deixando clara sua oposição à prática em vias públicas , ele invocou o dever constitucional do Estado de fomentar o esporte e questionou o preconceito social que, segundo ele, persegue os praticantes, em sua maioria jovens da periferia.

Como prova de que a regulamentação é a solução, ele apresentou o caso de sucesso em sua cidade, Castro Alves, onde a criação de uma pista fez com que os próprios jovens se tornassem fiscais contra as manobras nas ruas, resolvendo o problema de segurança pública.

A iniciativa do debate foi capitaneada pelo vereador Gleyser Soares, que se posicionou como “porta-voz da galera do Grau” e reiterou diversas vezes ser contra a prática em vias públicas, buscando o diálogo para a criação de um local específico e seguro.

Apesar do tom favorável à regulamentação, a preocupação com a saúde pública foi o principal contraponto. O vereador Luciano Almeida, embora aberto à discussão, trouxe dados da diretoria do Hospital Dantas Bião, que indicam que 70% dos leitos são ocupados por vítimas de acidentes de moto. Essa preocupação foi ecoada por outros parlamentares. Claúdio Abiúde relatou sua experiência pessoal com um grave acidente de moto e citou que um familiar cirurgião realiza 85 cirurgias em motociclistas para cada 100 procedimentos.

A vereadora Juci Cardoso complementou, afirmando que cirurgias eletivas precisaram ser desmarcadas devido à lotação causada por um acidente recente, pedindo um debate técnico focado na vida, e não no populismo.

Mesmo com as ressalvas, a maioria dos vereadores convergiu para a solução do espaço dedicado. Thor de Ninha e Jorge da Farinha compararam o “wheeling” a outros esportes radicais, como skate e motocross, que necessitam de locais apropriados para garantir a segurança.

Anderson Xará, após narrar um episódio de risco envolvendo sua mãe cadeirante, apoiou um local regulamentado, desde que com regras rígidas de segurança. A vereadora Luma Menezes resumiu o sentimento geral ao afirmar que a liberdade individual encontra seu limite quando afeta o direito de outrem, e que o consenso da Casa era pela busca de “mais segurança para a prática”.

O vereador José Edésio acrescentou uma nova camada ao debate, ao argumentar que a prática não é exclusiva da periferia, sendo também comum entre jovens de classe média que muitas vezes se sentem blindados socialmente. Ele defendeu que, além da regulamentação, é preciso um forte investimento em educação no trânsito.

Ao final, o debate indicou um caminho claro: em vez da simples criminalização, a Câmara de Alagoinhas buscará, em diálogo com o Executivo, a regulamentação do “grau” como esporte. A criação de um espaço seguro é vista como a solução para proteger tanto os praticantes quanto a sociedade, transformando um problema de segurança em uma atividade de lazer organizada.

Para assistir a sessão na íntegra, clique no link: TV Câmara Alagoinhas

Ascom – Câmara Municipal de Alagoinhas

Fotos – Jhô Paz

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