Obesidade infantil: o que é, sintomas, causas e tratamento

A obesidade infantil é uma doença crônica, caracterizada pelo acúmulo de gordura corporal e que pode causar sintomas como roncos e/ou pausas na respiração durante o sono, dor nos joelhos e cansaço fácil durante esforços.
Essa condição pode ser causada por alimentação inadequada e sedentarismo, mas também pode surgir devido ao uso de alguns medicamentos, desequilíbrios hormonais ou fatores genéticos específicos, em alguns casos.
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Na suspeita de obesidade infantil, é recomendado consultar o endocrinologista ou pediatra, para fazer a avaliação física da criança e, se necessário, indicar o tratamento adequado, que pode incluir reeducação alimentar, prática de exercícios físicos e, em alguns casos, uso de remédios ou cirurgia bariátrica.

Sintomas de obesidade infantil
Os principais sintomas e sinais de obesidade infantil são:
- Ganho excessivo de peso;
- Aumento do IMC e da circunferência abdominal;
- Aceleração do crescimento e estatura elevada para a idade;
- Acantose nigricans;
- Falta de ar durante esforços e chiado no peito;
- Menarca antes dos 10 anos, em meninas;
- Roncos e/ou pausas na respiração durante o sono;
- Dor nos joelhos, quadris, costas, pernas e pés.
A criança com obesidade também pode apresentar alterações na pele, como estrias, acne, excesso de pelos em meninas, celulite, intertrigo, furunculose e infecções fúngicas.
Como o ganho de peso normalmente é lento, a obesidade infantil muitas vezes não causa sintomas no início.
No entanto, o acúmulo excessivo de gordura pode provocar sinais clínicos, alterações na pele, respiratórias, ortopédicas, metabólicas e psicossociais.
Como confirmar o diagnóstico
O diagnóstico de obesidade infantil normalmente é feito pelo pediatra ou endocrinologista por meio da avaliação do histórico e comportamento alimentar, além do cálculo do IMC infantil. Confira o que é IMC infantil e como calcular.
Entretanto, como o IMC não diferencia massa magra de gordura corporal, o médico utiliza outras medidas, como circunferência abdominal e relação cintura/estatura, para avaliar a quantidade e a distribuição de gordura corporal.
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O médico também pode indicar exames, como dosagem de TSH, T4 livre e cortisol no sangue, para identificar se existe alguma doença que pode estar contribuindo com o ganho excessivo de peso.
Causas de obesidade infantil
As principais causas da obesidade infantil são:
1. Alimentação inadequada
A alimentação inadequada, com muitos alimentos ultraprocessados e ricos em calorias, como refrigerantes, biscoitos, lanches de fast-food e doces, por exemplo, é um dos principais fatores relacionados à obesidade infantil.
Além disso, comer de forma rápida, fazer refeições assistindo à televisão, mexendo no celular ou estudando, e a falta de refeições em família, também estão associados ao maior risco de excesso de peso.
2. Sedentarismo
O sedentarismo, que inclui baixa prática de jogos ativos, brincadeiras e esportes no dia a dia, e exposição excessiva à televisão, celulares, computadores e videogames, por exemplo.
Isto porque o sedentarismo faz com o corpo gaste menos calorias do que a criança ingere, favorecendo a obesidade.
3. Fatores genéticos e biológicos
Existem fatores genéticos e biológicos que aumentam o risco de obesidade infantil, como:
- Síndrome de Prader-Willi;
- Mutações no gene da leptina;
- Alteração em genes que regulam o apetite, a saciedade e o gasto energético, como FTO, MC4R, TMEM18 E BDNF;
- Fatores pré-natais e perinatais, como obesidade materna antes da gravidez, ganho de peso gestacional excessivo, diabetes gestacional, tabagismo na gravidez e nascimento com baixo peso ou peso elevado.
Fatores na primeira infância, como desmame precoce e ausência de aleitamento materno também aumentam o risco de obesidade infantil.
4. Ambientes obesogênicos e fatores sociais
O ambiente obesogênico é aquele que favorece o ganho de peso e dificulta a adoção de hábitos saudáveis, promovendo o consumo excessivo de calorias e o sedentarismo.
A alta disponibilidade, a publicidade voltada para as crianças e o menor custo de alimentos ultraprocessados em comparação com alimentos naturais, criam um ambiente obesogênico.
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Além disso, a insegurança alimentar e a falta de infraestrutura em comunidades vulneráveis impedem ou diminuem o acesso a escolhas alimentares saudáveis e à prática de atividades físicas.
5. Medicamentos
O uso contínuo de alguns medicamentos, como corticoides, anticonvulsivantes, imunossupressores, antidepressivos e antipsicóticos, pode favorecer ou piorar a obesidade infantil.
Isso acontece porque estes remédios podem causar a retenção de líquidos, o aumento do apetite e o acúmulo de gordura corporal.
6. Desequilíbrios hormonais
Embora sejam menos comuns, os desequilíbrios hormonais devido a hipotireoidismo, excesso de cortisol ou deficiência de hormônio do crescimento (GH), por exemplo, podem favorecer o ganho de peso.
Estes casos, quando não tratados adequadamente, podem levar ao desenvolvimento de obesidade.
Como é feito o tratamento
O tratamento da obesidade infantil depende da idade da criança, da causa e da gravidade, podendo incluir:
- Reeducação alimentar, sendo feita e acompanhada pelo nutricionista, priorizando o aumento do consumo de legumes, verduras, cereais integrais e frutas.
- Prática regular de atividade física, devendo-se incentivar a prática de atividades físicas e brincadeiras que ajudem a gastar energia e limitar o tempo de tela;
- Medicamentos, como liraglutida, semaglutida e tirzepatida, de acordo com a idade da criança e a orientação do médico.
Também podem ser recomendadas dietas de baixa caloria, para crianças com obesidade grave ou com doenças associadas e que não responderam à reeducação alimentar e à prática de atividades físicas.
Entretanto, não são indicadas dietas muito restritivas, porque podem afetar o crescimento e o desenvolvimento da criança e do adolescente.
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O Conselho Federal de Medicina do Brasil também indica a cirurgia bariátrica para adolescentes a partir de 14 anos com IMC maior que 40kg/m², associada a complicações que causem risco de vida, conforme a avaliação dos médicos e o consentimento dos responsáveis.
Riscos de obesidade infantil
Os possíveis riscos da obesidade infantil à saúde física, mental e social são: pressão alta, dislipidemia, resistência à insulina e diabetes tipo 2, síndrome metabólica, aterosclerose precoce.
Esteatose hepática, apneia obstrutiva do sono, fraturas, puberdade, menarca precoce, baixa autoestima, ansiedade, isolamento social e sintomas depressivos, também são possíveis riscos da obesidade infantil.
Prevenção da obesidade infantil
Algumas medidas de prevenção da obesidade são:
- Manter os cuidados pré-natais, como manter o ganho de peso adequado na gravidez, controlar a diabetes gestacional e evitar fumar na gravidez;
- Manter o aleitamento materno (amamentação), de forma exclusiva, até os seis meses de idade e, de forma complementar, até os dois anos ou mais;
- Iniciar a alimentação complementar da criança aos 6 meses de vida;
- Priorizar na dieta da criança alimentos in natura, como frutas, legumes, hortaliças, cereais integrais, leguminosas e proteínas magras;
- Limitar o tempo de telas, como celular, televisão, computador, videogame e tablet;
- Garantir uma boa qualidade e quantidade de sono à noite, de 10 a 13 horas para pré-escolares, entre 9 a 12 horas para crianças de 6 a 12 anos e de 8 a 10h para adolescentes;
- Limitar o consumo de alimentos ultraprocessados e ricos em açúcares e gorduras saturadas, como doces, comidas do tipo fast-food, refrigerantes, achocolatados e sucos artificiais.
É fundamental também garantir a prática de atividade física para as crianças, onde os pais devem participar como exemplos/modelos de estilo de vida.
Assim, é recomendado brincadeiras interativas no chão para lactentes; pelo menos 180 minutos de atividades físicas ao longo do dia para crianças de 1 a 2 anos; e pelo menos 180 minutos de atividades físicas, para crianças de 3 a 4 anos, por exemplo.
Fonte: Tua Saúde
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