Em projeto inédito, Espírito Santo testa gás natural na secagem de café

Um projeto piloto de R$ 1 milhão testa pela primeira vez no Brasil o uso de gás natural na secagem do café como alternativa à secagem em fornalha, com lenha e a outras biomassas tradicionalmente utilizadas nas propriedades rurais. Realizado inicialmente em uma fazenda de conilon no Espírito Santo, o teste quer medir desde custos e eficiência operacional até impactos sobre qualidade, rastreabilidade e sustentabilidade dos grãos.
A experiência começou durante a safra deste ano na Fazenda Chapadão, em Linhares, no norte capixaba, propriedade do cafeicultor Eduardo Bortolini. A expectativa é que o modelo seja ampliado para outras propriedades a partir da próxima safra, embora os milhares de dados coletados nesta primeira etapa ainda estejam em análise.
O projeto-piloto recebeu o primeiro R$ 1 milhão para ser implementado na primeira etapa dos testes. De acordo com Fabio Lancelotti, diretor técnico comercial da ES Gás, no caso da fornalha, o cafeicultor fica dependente de mais funcionários dedicados ao acompanhamento da queima, além de depender da logística de entrega e reposição da lenha.
Leia Mais
-

Produção de café da Colômbia cai 23% em julho por efeitos climáticos
-

Café brasileiro é “insubstituível” nos EUA, após batalha contra tarifaço
-

Clima é a principal ameaça ao mercado de café global, alerta Bill Murray
A ES Gás é a concessionária responsável por distribuir gás natural canalizado no Espírito Santo e uma das controladoras da pesquisa e desenvolvimento do piloto, que funcionou com três queimadores diferentes a fim de provar equipamentos e configurações distintas durante a safra.
Além da ES Gás, a iniciativa conta com o Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV), Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), JDE Peet’s e Base 27, com aprovação e acompanhamento da Agência de Regulação de Serviços Públicos do Espírito Santo (ARSP).
Os primeiros resultados foram apresentados durante o Vitória Coffee Summit 2026, em Vitória (ES), que terminou neste sábado (22). O controle da temperatura foi um dos elementos-chave da avaliação nos testes. Lancelotti contou que o uso de gás natural permitiu uma espécie de “controle de chama de um fogão” no processo do café.
O consumo energético do processo e a análise de combustão foram outros dois pontos observados durante o teste para avaliar o grau de eficiência.
Também se avaliou a análise sensorial junto à maturação do grão a fim de verificar se a qualidade do café não ficaria comprometida. De maio à agosto deste ano, 9,4 mil sacas de 60 kg de café foram usadas no projeto piloto, detalhou Lancelotti durante o evento na capital capixaba. Foi a primeira vez que os resultados preliminares foram apresentados ao público.
Depois dos testes no campo, os grãos secos foram para análise em laboratório para medir a umidade e maturidade do grão, separação das amostras e testar a qualidade da bebida.
Em entrevista à CNN, o presidente do CCCV, Fabrício Tristão, afirmou que o projeto surgiu da combinação entre um gargalo da cafeicultura e uma vantagem energética particular do Espírito Santo.
“Qual é a dificuldade? Matéria-prima, tecnologia, questões ambientais. Essa é uma dificuldade que a secagem tradicional traz, além da disponibilidade de biomassa. E a oportunidade, do outro lado, é que o Espírito Santo é um importante produtor de gás natural e as lavouras de café estão a poucos quilômetros das jazidas ou das estações de distribuição”, disse.
A proximidade é considerada fundamental para a viabilidade econômica do projeto. Segundo Tristão, experiências com gás natural na secagem do café já foram estudadas em outros lugares do mundo, mas a logística de distribuição do combustível tornou-se uma barreira para o avanço da tecnologia.
No Espírito Santo, a possibilidade de encurtar essa distância pode mudar a equação.
“Por que em outros lugares do mundo o gás natural, apesar de terem sido feitos estudos, não avançou no uso na secagem do café? Porque a questão logística é uma questão primeira. E isso aqui é uma riqueza natural que temos tão próxima”, afirmou.
Projeto avalia custo, qualidade e sustentabilidade
A secagem é uma das etapas mais sensíveis do pós-colheita do café e influencia a uniformidade dos grãos, a padronização dos lotes e a preservação das características sensoriais do produto.
Nas propriedades, o processo é tradicionalmente abastecido por lenha e outras biomassas. Durante a colheita, os secadores podem permanecer em funcionamento por aproximadamente 100 dias, elevando a demanda por combustível e gerando fumaça nas áreas produtoras.
O projeto capixaba busca verificar se o gás natural pode oferecer maior controle térmico e estabilidade ao processo, além de reduzir emissões e impactos ambientais.
Mas a decisão sobre uma eventual expansão da tecnologia não será baseada apenas na comparação direta entre o preço do gás e o da biomassa, segundo Tristão.
“Geramos milhares de dados exatamente para avaliar todas as variáveis: qualidade, rastreabilidade, sustentabilidade. É um pacote completo para uma tomada de decisão que muitas vezes não é só pelo custo final direto aplicado”, disse o presidente do CCCV.
O desenho do estudo contempla quatro pilares principais: viabilidade industrial do processo de secagem, custo, sustentabilidade e qualidade do café obtido.
“Um pilar só talvez não traga a viabilidade econômica que um projeto desse, que é disruptivo, precisa ter”, acrescentou.
A participação da JDE Peet’s no projeto está ligada principalmente à avaliação da qualidade do produto. Segundo Tristão, a intenção é verificar se um processo de secagem com maior controle pode também se refletir nas características finais do café.
“A secagem, seja de arábica ou de conilon, é um processo muito crítico. Quanto mais sofisticado e completo ele for, melhor pode ser o resultado”, afirmou.
A concentração em uma única fazenda, de acordo com Tristão, foi proposital para manter um ambiente controlado e permitir que pesquisadores acompanhassem praticamente todo o ciclo da safra.
O projeto é de médio prazo e deve levar entre dois e três anos até que informações suficientes sejam consolidadas para uma avaliação mais ampla sobre a viabilidade da tecnologia.
Produtores já procuram gás natural
Mesmo antes das conclusões definitivas do estudo, porém, o teste começou a despertar o interesse de outros cafeicultores capixabas.
Segundo Tristão, produtores já procuraram a ES Gás para discutir a possibilidade de criação de pequenas centrais regionais de distribuição do combustível.
“Ele é um projeto piloto ainda e tem várias fases a serem desenvolvidas. É um projeto de médio prazo, de dois a três anos para consolidarmos todas as informações, mas já traz frutos positivos. Muitos produtores aderiram à ideia independentemente do projeto piloto e já conversam com a ES Gás sobre pequenas centrais de distribuição regional”, afirmou.
A expectativa do CCCV é que, na safra de 2027, novas experiências possam surgir a partir do modelo desenvolvido em Linhares.
“A ideia é que no próximo ano esse piloto já esteja multiplicado por vários, e muitas iniciativas independentes já começam a acontecer”, disse Tristão.
Para o CCCV, a tecnologia pode acrescentar uma nova frente ao processo de modernização da cafeicultura capixaba, especialmente do conilon. A entidade avalia que qualidade e sustentabilidade passaram a pesar cada vez mais nas decisões dos compradores internacionais e que aprimorar o pós-colheita pode ajudar a agregar valor ao produto.
“A cafeicultura vive um novo momento, em que qualidade, sustentabilidade e inovação caminham juntas. A secagem sempre foi uma etapa crítica para quem busca mercados mais exigentes”, afirmou Tristão.
Segundo ele, o objetivo do piloto não é definir previamente o gás natural como substituto da biomassa, mas produzir informações técnicas suficientes para que produtores e empresas possam decidir se a tecnologia faz sentido econômica e operacionalmente.
“É difundir e viabilizar o conhecimento. A questão dos investimentos e da distribuição fica a cargo de quem é do negócio, no caso a ES Gás, os produtores de café e os distribuidores”, afirmou.
Fonte: CNN Brasil
Não importa o tamanho da sua empresa ou seu ramo de atuação. Qualquer atividade comercial precisa necessariamente do desenvolvimento de sites para estar presente na internet.
Em um mundo globalizado, ter um site na internet não é mais um luxo para poucos, e sim uma regra geral para empresas que querem sobreviver em um mercado cada vez mais competitivo.
Novos Clientes
Já imaginou que você pode vender para todo o país, ou melhor, para todo o mundo através da internet? Pois bem, seu site fica disponível para ser acessado pelo mundo todo.









