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O chifre é fake: até Haaland adotou, mas vikings reais nunca usaram este símbolo da Noruega; entenda


O norueguês Erling Haaland usa um capacete viking enquanto comemora após partida que garantiu a classificação da Noruega para as oitavas de final da Copa do Mundo.
REUTERS/Issei Kato
Quem acompanhou a campanha da Noruega na Copa do Mundo de 2026 provavelmente viu imagens de torcedores fazendo a “remada viking” ou usando o típico capacete com chifres.
Até o craque Erling Haaland entrou na brincadeira e vestiu o acessório após a classificação da seleção para as oitavas de final contra o Brasil, que acontece neste domingo (5).
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Apesar de ser um símbolo nacional, o chapéu com chifres nunca foi, de fato, usado pelos vikings. Na verdade, esta representação nasceu séculos depois da chamada Era Viking, quando artistas europeus passaram a retratar guerreiros nórdicos com esse adereço por pura “liberdade poética”.
⛵Mas antes, quem eram os vikings? Na Escandinávia medieval, o termo “viking” não designava um povo específico, mas uma atividade. A palavra era usada para se referir a piratas e saqueadores que participavam de expedições marítimas e podiam ser de diferentes regiões. Com o tempo, porém, o termo passou a ser associado aos povos nórdicos que viviam onde hoje ficam Noruega, Dinamarca e Suécia.
Na época, os chifres tinham um significado muito diferente do atual. Em vez de serem associados à traição, simbolizavam força, poder e virilidade masculina.
“No século 18, as nações estavam procurando disseminar imagens de estados fortes e marciais, então esta imagem caiu como uma luva”, explica ao g1 Johnni Langer, professor da UFPB e membro do Núcleo de Estudos Vikings e Escandinavos da universidade.
“Frithiof på havet”, de Lorenz Frølich, uma das primeiras imagens que representou um guerreiro viking com chifres;
Reprodução/Museu nacional de Artes da Dinamarca/Domínio Público
Os vikings, aliás, não são os primeiros chifrudos da história da arte. Segundo o especialista, os artistas escandinavos foram fortemente influenciados pela tradição alemã, que desde o século XVIII já retratava antigos guerreiros germânicos com esse tipo de capacete.
Nessa época, a Europa vivia o período do Romantismo, e era comum que artistas viajassem entre diferentes capitais buscando inspiração nas obras uns dos outros.
A imagem dos vikings com este chapéu explode, de fato, com o sucesso das óperas do compositor alemão Richard Wagner, que transformou lendas de deuses, heróis e monstros nórdicos em dramas musicais.
“A partir dos anos 1870, essa imagem chega na Europa, Estados Unidos e até no Brasil”, explica o professor.
A imagem do viking
Depois disso, essa representação se consolidou no imaginário popular. A figura do viking como um guerreiro alto, forte, destemido e de capacete com chifres continua sendo reforçada pela arte, pela literatura e, mais recentemente, pela cultura pop.
Pense no sucesso de “Thor”, da Marvel, na animação “Como Treinar o Seu Dragão”, no quadrinho “Hagar, o Horrível” ou na série “Vikings”.
Historicamente, porém, ser um “viking” não era sinônimo de herói. Também não existia um único “tipo físico viking”. Segundo Johnni Langer, havia nórdicos altos, fortes e loiros (como os que vemos na televisão), mas também pessoas mais baixas, de cabelos escuros e descendentes de diferentes povos.
“Existiam casamentos interétnicos, até com populações siberianas, asiáticas e de outros locais”, explica o professor.
E a remada viking?
Torcida da Noruega viraliza com simulação de barco em metrô dos EUA
É verdade que os vikings eram grandes navegadores, afinal, essa era sua profissão. Mas, segundo Johnni Langer, não há registros de que o movimento de remada fosse usado para celebrações.
“Remar era uma atividade prática executada em navios de guerra, que tinham velas e remos. Nos mercantes só tinha uma vela, sem remos. Não existia qualquer tipo de comemoração, ritual religioso ou festa que envolvesse remadas. Isso é uma invenção moderna”, explica Langer.
Aliás, a “remada viking”, que virou uma das marcas da torcida da Noruega nesta Copa do Mundo, nasceu há poucos meses.
A coreografia foi criada em março de 2026 pelo professor norueguês Ole Frøystad, que queria desenvolver um cântico simples e capaz de engajar os torcedores.
A ideia foi testada pela primeira vez em um amistoso contra a Suíça, um dos últimos compromissos da seleção antes do Mundial. Em seguida, Frøystad e a torcida organizada passaram a divulgar vídeos ensinando como os torcedores deveriam “remar” de forma sincronizada para criar um efeito visual marcante.
Como aparentemente acontece com tudo o que envolve a estética “viking”, a ideia acabou funcionando.
Um torcedor da Noruega vestido de viking dentro do estádio antes da partida em 22 de junho de 2026
REUTERS/Mike Segar


Fonte: g1 > Educação

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