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'Houston, we have a problem': cidade de Brasil x Japão gera piada com frase da Nasa, mas astronauta não disse exatamente isso; entenda


Sala de controle de operações da missão Apollo 13.
Nasa
Antes mesmo de a bola rolar, o próximo jogo do Brasil na Copa do Mundo, nesta segunda-feira (29), já rendeu uma piadinha infame nas redes sociais.
Como a partida será disputada em Houston, nos Estados Unidos, bastou nosso adversário ser definido (o temido Japão) para que os torcedores resgatassem aquela famosa frase: “Houston, we have a problem.” (Houston, nós temos um problema, em inglês).
🚀Essa expressão ficou mundialmente conhecida por causa do filme Apollo 13 (1995). O astronauta interpretado pelo ator Tom Hanks diz exatamente estas palavras na cena de maior tensão do longa: “Houston, we have a problem”.
Ok, agora, chamemos o VAR. Se ele ouvir o que de fato foi dito durante a missão Apollo 13, em 13 de abril de 1970, perceberá que não foi exatamente isso que o piloto Jack Swigert afirmou ao centro de controle da Nasa, localizado em Houston.
Diálogo real:
“Okay, Houston, we’ve had a problem here.”
“This is Houston. Say again, please.”
“Houston, we’ve had a problem.”
No filme:
“Houston, we have a problem.”

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Por que o tempo verbal foi mudado?
Antes de tudo, saiba que as duas construções estão corretas neste contexto. Mas a adaptação do filme busca deixar a situação mais dramática, explica o professor de inglês Bruno Braga.
“É como se eu falasse para um aluno: ‘tive um problema e vou atrasar’ . Nos dois cenários, o problema ocorreu e está me atrapalhando. Mas, quando uso o presente digo que ‘estou com um problema’ , dá um pouco mais de urgência”, explica Bruno.
Em termos gramaticais, o que explica essa adaptação da frase é o seguinte:
Quando usar o ‘present perfect’?
Pense nele como uma ponte entre o passado e o presente.
Tempo indeterminado: A ação aconteceu em algum momento da vida, mas quando ela ocorreu não importa. O foco é na experiência em si.
➡️Exemplo: I have seen that movie. (Eu já vi esse filme.) — Quando? Neste contexto, não importa. Pode ter sido na infância ou na semana passada. O foco está em já ter assistido ao longa.
Ação que continua até o presente: Algo que começou lá atrás e ainda traz consequências no presente.
➡️Exemplo: You have learned to speak Spanish very well. (Você aprendeu a falar espanhol muito bem.)
Quando o astronauta disse: “We have had a problem”, ele estava afirmando que o problema havia aparecido no passado e ainda estava gerando consequências. Por isso, a tripulação precisava de ajuda da equipe de Houston.
É uma construção correta. Mas, dependendo do contexto, o ouvinte também poderia entender que a escolha do present perfect foi por causa do “tempo indeterminado”: ou seja, que houve um problema na nave, em algum momento, e que talvez ele até já tenha sido resolvido.
Quando usar o simple present?
O simple present é usado principalmente para falar de fatos, hábitos, estados permanentes e situações consideradas verdadeiras no momento em que se fala.
➡️Exemplo: “I have a headache.” (Estou com dor de cabeça.)
No caso da frase de Apollo 13:
We have a problem. → Simple present.
Significa: “Temos um problema.”
A ênfase está na situação atual: existe um problema agora.
Aqui, não há margem para interpretação. A emergência fica mais clara.
“Funciona igual numa tradução em português: Nós temos um problema X Nós tivemos um problema”, afirma o professor Bruno.
“Se eu falo ‘we have a problem’, eu tenho esse problema agora. Se eu falo ‘we’ve had a problem’, pode ser que eu esteja falando de um problema que aconteceu no passado e continua agora ou de algo que aconteceu no passado, mas não interessa quando — se foi há 5 minutos, há duas horas, se foi ontem.”
Em resumo: Enquanto o present perfect (We’ve had a problem) comunica que um problema acabou de acontecer e ainda produz consequências, o simple present (We have a problem) simplesmente afirma que há um problema agora. A troca tornou a fala mais curta, direta e dramática ser encenada.
Dito isso, só nos resta desejar que o Brasil não tenha um problema no jogo.
Se você tiver curiosidade sobre o episódio da Nasa, leia a explicação abaixo.
E qual foi o problema da missão?
O Evento Inicial: Enquanto a tripulação — James Lovell, Jack Swigert e Fred Haise — realizava tarefas rotineiras de manutenção, que incluíam a agitação dos tanques de oxigênio e hidrogênio líquidos no Módulo de Serviço, eles ouviram um “estrondo surdo” que ecoou por toda a espaçonave.
Os Sinais de Alerta: No Centro de Controle em Houston, os controladores notaram uma mudança súbita nos dados de comunicação e começaram a receber leituras estranhas. A bordo, luzes de alarme mestre e de queda de voltagem (Main B Bus Undervolt) acenderam, indicando uma falha séria no sistema elétrico.
A Frase: O piloto Jack Swigert foi o primeiro a reportar, dizendo: “Okay, Houston, we’ve had a problem here”. Quando o comunicador da cápsula (Capcom) pediu para repetir, o comandante James Lovell confirmou: “Ah, Houston, we’ve had a problem here. We’ve had a Main B Bus Undervolt”.
A Gravidade do Problema: Inicialmente, pensou-se que poderia ser um erro de instrumentação, mas logo Lovell olhou pela janela e viu a nave b para o espaço, que era, na verdade, o oxigênio vazando. O tanque de oxigênio número 2 havia falhado completamente, e o tanque número 1 estava perdendo pressão.
Consequências imediatas: Como o oxigênio era essencial tanto para a respiração da tripulação quanto para a geração de energia elétrica, o plano de pousar na Lua teve de ser abandonado. A missão transformou-se em uma operação de resgate, em que o módulo Lunar Aquarius foi utilizado como um “bote salva-vidas” durante a viagem de retorno à Terra.


Fonte: g1 > Educação

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