Inspeções nucleares no Irã vão acontecer, diz chefe de agência atômica da ONU


Imagem de satélite mostra a instalação nuclear de Natanz, no Irã, em 24 de janeiro de 2025
Maxar Technologies/Handout via REUTERS
O chefe do órgão de fiscalização nuclear da ONU afirmou nesta quarta-feira (24) que as inspeções em instalações nucleares “vão acontecer” no Irã em algum momento no futuro.
✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp
Para embasar sua afirmação, o chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, disse que o acordo de paz preliminar assinado entre EUA e Irã menciona a participação de sua agência nas próximas etapas do programa nuclear iraniano.
Grossi disse a jornalistas durante uma visita ao Japão que o acordo estabelece “explicitamente que as atividades nucleares que serão efetuadas em relação às instalações de material nuclear serão supervisionadas pela AIEA”.
“Obviamente, para fazer isso, teremos que inspecionar [as instalações nucleares do Irã]. Se isso vai acontecer hoje, depois de amanhã, em uma semana ou em 10 dias, é importante, mas não essencial. Isso vai acontecer”, afirmou Grossi.
Agora no g1
Grossi, no entanto, não deu mais detalhes sobre se obteve mais alguma garantia por parte do governo iraniano ou de algum mediador das negociações de paz. Essa foi a fala mais contundente da AIEA sobre o programa nuclear de Teerã desde o final da guerra entre EUA e Irã.
A fala de Grossi ocorreu em meio a um impasse entre EUA, Irã e a AIEA sobre as instalações nucleares iranianas. Os dois países assinaram na semana passada um acordo de paz preliminar na guerra, que determina que eles entraram em um acordo sobre essa questão em até 60 dias, no entanto autoridades norte-americanas e iranianas têm dito coisas contraditórias nos últimos dias.
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que o Irã concordou com “grandes inspeções” às suas instalações. Já o Ministério das Relações Exteriores iraniano negou ter aceitado qualquer tipo de inspeção. Após a negativa de Teerã, Trump ameaçou retirar seu país das negociações por um acordo de paz definitivo. Leia mais abaixo.
A AIEA, que geralmente realiza tais vistorias, está impedida de trabalhar livremente no território iraniano desde 2021, quando Trump retirou os EUA de um acordo nuclear da era Obama.
EUA e Irã discordam sobre inspeções a instalações nucleares
O presidente Donald Trump acena ao chegar a bordo do Marine One à Base Conjunta Andrews, em Maryland, no domingo, 21 de junho de 2026, após uma viagem a Camp David e Presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, mostra assinatura em memorando de entendimento com os EUA, em 18 de junho de 2026
Photo/Mark Schiefelbein e Gabinete Presidencial do irã via AP
Na terça-feira, o Irã negou ter aceitado vistorias a suas instalações nucleares como parte das negociações com os Estados Unidos previstas no acordo firmada entre os dois países.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retrucou e insistiu que negociadores iranianos aceitaram a vistoria durante a primeira rodada de negociações pós-acordo, realizadas no fim de semana na Suíça. E ameaçou encerrar as tratativas, dando fim ao acordo de paz firmado entre os dois países.
“Se eles não concordassem com isso, não haveria mais negociações!”, disse Trump em sua rede social Truth Social.
O presidente norte-americano disse ainda que só aceitou levantar o bloqueio naval que a Marinha dos EUA faziam na entrada do Estreito de Ormuz porque negociadores iranianos teriam aceitado as vistorias nucleares.
“Baseado nessa e em outras grandes concessões feitas pelo Irã, eu concordei em permitir que o Estreito de Ormuz siga aberto, sem novos bloqueios navais”.
Mais cedo, o Ministério das Relações Exteriores iraniano afirmou que o país não realizou nenhuma reunião com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) na Suíça, nem planeja permitir que o órgão de fiscalização nuclear da ONU inspecione suas instalações nucleares danificadas pela guerra contra os EUA.
O porta-voz da pasta, Esmaeil Baghaei, disse que não há protocolo para esse tipo de inspeção, acrescentando que o Irã continuará cumprindo suas obrigações atuais como membro do Tratado de Não Proliferação Nuclear e sob seu acordo de salvaguardas com a AIEA.
Ainda segundo Baghaei, os negociadores estão tentando alinhar todas as outras questões e cláusulas entre EUA e Irã antes de começar a negociar a questão nuclear. Ele disse também que as capacidades defensivas e o programa de mísseis de Teerã não serão objeto de negociações com ninguém.
A fala de Baghaei vai de encontro ao que disseram na segunda-feira o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e seu vice, J.D. Vance. Trump afirmou que “todos estão plenamente cientes de que o Irã permitirá grandes inspeções de armamentos atômicos”, e Vance disse que Teerã tinha concordado em visitas de inspetores da AIEA às suas instalações nucleares.
Ainda na segunda, o governo iraniano havia dito que não concordou com nada sobre seu programa nuclear durante a 1ª rodada de negociações na Suíça após assinatura do acordo de paz na guerra entre EUA e Irã.
A questão nuclear continua sendo uma das mais delicadas entre EUA e Irã neste pós-guerra, tanto sobre a diluição do material radioativo em poder de Teerã quanto sobre as inspeções às usinas iranianas. Porém, ambos os países se comprometeram a resolver esse problema e os demais —como a reabertura do Estreito de Ormuz— em até 60 dias através de múltiplas rodadas de negociações e com a ajuda de mediadores.






