
Mesmo enfrentando dificuldades financeiras, municípios brasileiros destinaram pelo menos R$ 2,1 bilhões à contratação de shows artísticos entre 2024 e 2025. O dado foi revelado em levantamento baseado no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), realizado em parceria entre o UOL e a ONG Transparência Brasil, que identificou 1.074 cidades classificadas com baixa capacidade fiscal investindo em eventos.
De acordo com o estudo, os valores podem ser ainda maiores, já que há falhas e lacunas nos registros oficiais. As cidades analisadas possuem classificação C ou D no índice Capag, do Tesouro Nacional, o que indica situação fiscal delicada.
Um dos casos que chama atenção é o de Quijingue, no interior da Bahia. Após decretar situação de emergência em janeiro de 2025, citando atrasos salariais, dívidas e dificuldades no sistema de saúde, a gestão municipal ampliou os gastos com eventos. O investimento nos festejos juninos foi quadruplicado, e a contratação da dupla Zé Neto e Cristiano para janeiro de 2026 custou R$ 854 mil — valor próximo à metade do custo de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) em construção.
A decisão gerou críticas de representantes locais. Segundo o sindicato dos servidores, há atraso de salários enquanto recursos são direcionados para eventos. Até o encerramento da apuração original, a prefeitura não havia se manifestado.
Situações semelhantes foram registradas em outras regiões do país. Em Santa Bárbara do Tugúrio, em Minas Gerais, problemas como obras paradas, dívidas com fornecedores e cortes em áreas como saúde e educação convivem com altos investimentos em shows. Nos últimos dois anos, foram contratados artistas com cachês elevados, o que gerou questionamentos por parte de vereadores sobre a prioridade dos gastos públicos.
Especialistas avaliam que o cenário evidencia desequilíbrio na gestão. O economista José Roberto Affonso aponta que municípios com baixo desenvolvimento deveriam priorizar áreas como saúde e educação, que apresentam retorno social mais duradouro. Já o cientista político Eduardo Grin, da Fundação Getulio Vargas (FGV), destaca que o aumento de emendas parlamentares tem incentivado o crescimento desse tipo de despesa.
Além disso, foram identificadas variações significativas nos valores pagos a artistas em diferentes cidades, o que levanta suspeitas sobre possíveis irregularidades. Diferenças expressivas de cachês para apresentações próximas no tempo e em locais distintos reforçam a necessidade de maior controle.
Diante desse cenário, órgãos de fiscalização, como Ministérios Públicos e Tribunais de Contas, intensificaram a análise de contratos, chegando a suspender eventos com indícios de superfaturamento. Como resposta, associações de prefeitos no Nordeste passaram a discutir limites para os valores pagos.
Na Bahia, por exemplo, foi sugerido pelo Ministério Público um teto de R$ 700 mil por cachê para o São João de 2026, com possibilidade de ajustes mediante justificativas fiscais. A proposta ficou conhecida como “São João sem milhão”.
No Congresso Nacional, também avançam iniciativas para ampliar a transparência. Um projeto de lei apresentado em 2025 prevê a obrigatoriedade de contratação de artistas locais e a divulgação antecipada dos contratos. Dessa forma, busca-se reduzir distorções e garantir maior controle sobre os gastos públicos destinados a eventos festivos.
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Fonte: Blog do Valente
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