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Enem 2026: quantos erros de português você pode cometer na redação sem perder pontos?


A partir de quantos erros de Português você começa a perder nota na redação do Enem?
Você já deve ter lido redações que tiraram nota mil no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e que não estavam 100% perfeitas: apresentaram erros de grafia, por exemplo, ou de concordância verbal. Como isso é possível?
Nas normas transmitidas aos corretores dos textos, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) estabelece qual a quantidade de falhas que o aluno pode cometer sem que seja penalizado.
Para alcançar os 200 pontos na Competência 1 (a que avalia o domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa), o candidato tem o direito de “escorregar” até:
1 vez, quando for erro sintático;
2 vezes, em deslizes gramaticais.
✏️O que são erros sintáticos?
As falhas de estrutura sintática estão relacionadas à organização das frases e à construção dos períodos. Entram nessa categoria problemas como:
truncamento: uma frase fica incompleta ou é interrompida de maneira inadequada;
justaposição: orações são colocadas lado a lado sem a articulação sintática necessária;
excesso ou ausência de palavras: sobram ou faltam elementos que comprometem a construção do período;
duplicação de elementos sintáticos: o mesmo elemento aparece repetido indevidamente na estrutura.
Veja um exemplo real escrito por um candidato em uma redação do Enem:
“NO SÉCULO EM QUE VIVEMOS HOJE EM DIA A RELAÇÃO SOBRE A RELAÇÃO DESSAS DIFICULDADES DE HERANÇA HUMANA, A SOCIEDADE BRASILEIRA MUITOS JÁ NÃO SÃO A FAVOR…”
O trecho apresenta problemas na organização das ideias e na construção da frase. É esse tipo de falha que o corretor considera ao avaliar a estrutura sintática.
Se o aluno apresentar mais de um erro sintático, já não consegue tirar a nota máxima na redação.
✏️O que são erros gramaticais?
Bruna Tavares, de Maceió, alcançou a nota máxima na redação do Enem em sua primeira tentativa oficial
Acervo pessoal/Reprodução
Os desvios gramaticais abrangem erros relacionados às convenções da escrita e às regras da língua portuguesa em categorias como:
colocação pronominal (como em “isto não torna-se” — o correto seria “isto não se torna”);
concordância verbal e nominal;
regência (como em “Os jovens assistem os filmes pelo celular” — o correto seria “Os jovens assistem aos filmes pelo celular”);
tempos e modos verbais;
pontuação;
acentuação e ortografia;
inadequação vocabular e uso de expressões incompatíveis com a linguagem formal.
Para esses tipos de erro, a margem tolerada é um pouco maior: são permitidos até dois deslizes para manter os 200 pontos na Competência 1.
Veja exemplos reais escritos por alunos em edições recentes do Enem:
“A omissão governamental provém a escassez de campanhas sociais.”
Nesse caso, a construção adequada, considerando a regência do verbo provir, seria “provém da escassez”.
“Junto a esta ação, terá a participação do Ministro dos Direitos Humanos.”
Na linguagem formal, o mais adequado seria utilizar o verbo “haver”: “Junto a esta ação, haverá a participação do ministro dos Direitos Humanos.”
✏️Repetir o mesmo erro não significa perder mais pontos
Há outras particularidades importantes na correção:
Se o candidato escrever a mesma palavra incorretamente em diferentes momentos, o problema será contabilizado uma única vez.
Por exemplo: se colocar “objetivo” com G em três momentos diferentes da redação, o corretor considerará um único desvio, e não três.
Por outro lado, se o estudante construir várias frases com problemas de estrutura sintática, cada falha será contabilizada separadamente.
Não é necessário saber escrever corretamente todos os nomes próprios difíceis. Se o candidato errar a grafia de Rousseau, por exemplo, não perderá pontos por isso.
Ou seja: pode usar Nietzsche como repertório cultural sem se estressar.
Se a pessoa optar por citar um trecho de música ou de livro entre aspas e trocar uma palavra da versão original, essa alteração não será considerada um desvio gramatical na avaliação.
Exemplo: O original seria “O essencial é invisível aos olhos.” — “O Pequeno Príncipe”, Saint-Exupéry. Tudo bem se confundir, caso o sentido continue o mesmo, e escrever: “O importante é invisível aos olhos.”
Revisar continua sendo fundamental
Apesar da margem de tolerância, não vale deixar a revisão de lado. Afinal, quanto maior o número de falhas, maior o risco de perder pontos na Competência 1.
A recomendação é reservar alguns minutos antes de passar o texto a limpo para relê-lo com atenção, palavra por palavra, observando a construção das frases, a concordância, a regência e a pontuação.


Fonte: g1 > Educação

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