

Gritos, ameaças e punições: como a educação autoritária afeta a saúde mental das crianças
Adobe Stock
Seja depressão, seja distúrbios de comportamento: problemas psicológicos estão com frequência associados à forma como as crianças são criadas. Os pais não conseguem acertar em tudo, mas podem evitar algumas coisas.Todos os pais conhecem essa situação: a criança recebe uma tarefa e a ignora solenemente. Quando a paciência esgota, começam os gritos. Não é agradável, mas acontece.
O problema surge quando o estilo de educação é marcado principalmente por interações negativas desse tipo.
Um estudo recente realizado na China concluiu que uma educação rígida e autoritária aumenta o risco de sintomas depressivos e comportamento agressivo nas crianças. Com isso, os pesquisadores confirmam algo que outros especialistas também já observaram.
A educação rígida e autoritária vai além de episódios isolados de perda de controle. Trata-se, na verdade, de “diferentes formas de violência, disciplina e controle”, afirma o psiquiatra e psicólogo Stephan Bender, que dirige a Clínica e Policlínica de Psiquiatria, Psicossomática e Psicoterapia da Infância e Adolescência do Hospital Universitário de Colônia, na Alemanha.
Siga o canal do g1 Bem-Estar no WhatsApp
Agora no g1
Educação violenta aumenta risco de depressão
Agressões físicas ou coerção corporal são apenas uma forma de violência. A outra é de natureza psicológica: críticas ofensivas, linguagem agressiva, manipulação ou privação de afeto. É bem possível que as crianças obedeçam imediatamente, mas essa obediência motivada pelo medo tem um preço.
“Uma educação violenta promove situações de impotência, e estas são um importante fator de risco para a depressão”, afirmou Bender à DW. “Uma educação excessivamente rígida de forma crônica constitui, de fato, uma traumatização crônica.”
Segundo o psiquiatra, crianças que vivenciam repetidamente a experiência de não serem consideradas como pessoas, com seus próprios sentimentos, podem ter mais dificuldade em perceber e regular suas emoções.
Quem é criado sob violência e sem liberdade também não desenvolve a percepção de sua própria capacidade de agir e influenciar o ambiente – o senso de autoeficácia, termo que se refere à convicção de ser capaz de superar desafios e alcançar objetivos por meio das próprias habilidades.
Para que essa convicção se desenvolva, as crianças precisam aprender que conseguem lidar com problemas de forma autônoma e bem-sucedida. A autoeficácia é importante para aprender a lidar com as emoções, controlar o próprio comportamento e desenvolver autoconfiança. Uma educação baseada na violência e na coerção impede isso, explica Bender.
Isso traz consequências bastante distintas para as crianças. Em sua prática clínica, Bender observa que os meninos tendem mais à chamada externalização: o sofrimento vivenciado é projetado para fora e se manifesta frequentemente por meio de um comportamento social problemático, podendo chegar até a condutas criminosas.
As meninas, por outro lado, tendem mais à internalização, diz o psiquiatra e psicólogo: “Ou seja, elas desenvolvem problemas emocionais, depressão, transtornos de ansiedade ou até mesmo transtornos alimentares, sobretudo a partir da puberdade”.
Alterações epigenéticas decorrentes da educação autoritária
Evelien van Assche é psiquiatra e médica-chefe da Clínica de Saúde Mental do Hospital Universitário de Münster. Ela encontrou indícios de que uma educação autoritária deixa marcas no DNA, podendo assim aumentar o risco de depressão mais tarde na vida.
Como parte de sua tese de doutorado, a psiquiatra pesquisou se uma educação autoritária se reflete na epigenética de jovens participantes do estudo. A epigenética estuda a relação entre influências ambientais e o DNA e ajuda a determinar quando e quais genes são ativados ou desativados. Isso ocorre, entre outros mecanismos, por meio da chamada metilação dos genes. Trata-se de um processo de regulação gênica que influencia quais características físicas ou psicológicas serão manifestadas.
O estudo de Van Assche baseou-se em pesquisas anteriores com gêmeos idênticos, nos quais um deles sofria de depressão. Dois grupos independentes descobriram que o gêmeo com depressão apresentava uma maior variação na metilação do DNA do que o gêmeo saudável. “Repetimos essa análise com a nossa amostra”, diz Van Assche à DW.
O resultado foi semelhante: os jovens que descreveram o ambiente familiar como sendo mais violento também apresentaram uma maior variação na metilação do que o grupo de controle. No entanto, a própria Van Assche afirma que suas pesquisas fornecem indícios, nada além disso. Ainda assim, são indícios que coincidem com os resultados de outros estudos.
De qual educação as crianças precisam?
A psiquiatra Van Assche afirma que o essencial é que os pais estejam emocionalmente disponíveis: ouvir os filhos e levar a sério suas preocupações e medos. “Se existe uma boa relação de base, então um momento isolado de irritação tem, naturalmente, um peso diferente.” Além da validação emocional da criança, regras e limites também são importantes, pontua. Essas expectativas devem ser comunicadas de forma aberta e clara, e a ultrapassagem de limites deve acarretar consequências adequadas.
“Quanto mais novas as crianças, maior é o papel desempenhado pelos pais”, observou Stephan Bender. Por isso, sua equipe desenvolveu treinamentos nos quais os pais aprendem a melhor maneira de apoiar seus filhos em diversas situações.
Para Van Assche, é importante ressaltar que a maioria dos pais acerta em muitos aspectos. No entanto, a relação com os pais é fundamental para o bem-estar psicológico das crianças. Mais um motivo para ouvirmos atentamente os nossos filhos.
Fonte: g1 > Educação
Não importa o tamanho da sua empresa ou seu ramo de atuação. Qualquer atividade comercial precisa necessariamente do desenvolvimento de sites para estar presente na internet.
Em um mundo globalizado, ter um site na internet não é mais um luxo para poucos, e sim uma regra geral para empresas que querem sobreviver em um mercado cada vez mais competitivo.
Novos Clientes
Já imaginou que você pode vender para todo o país, ou melhor, para todo o mundo através da internet? Pois bem, seu site fica disponível para ser acessado pelo mundo todo.






