De estrela de Cambridge a acusado de mentir e plagiar: entenda caso de professor inglês negro achado morto


Jason Arday carrega a chama olímpica no trecho do revezamento entre Sutton e Merton, em Londres, em 23 de julho de 2012
Joe Giddens/AP
O sociólogo britânico Jason Arday, de 41 anos, que se tornou o professor negro mais jovem da Universidade de Cambridge em 2023, foi encontrado morto nesta sexta-feira (14), em Londres, no Reino Unido. Arday estava sendo acusado de ter mentido sobre sua trajetória e plagiado partes de seu doutorado.
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No mês passado os questionamentos sobre suas qualificações e feitos ganharam repercussão pública após serem levantados por Nathan Cofnas, ex-pesquisador de filosofia de Cambridge.
A imprensa britânica levantou dúvidas sobre a afirmação do professor de que teria arrecadado 5,5 milhões de libras, cerca de R$ 38,8 milhões, para instituições de caridade por meio de desafios esportivos.
Arday dizia ter enfrentado dislexia, atrasos no desenvolvimento e autismo, condições que, segundo ele, fizeram com que permanecesse sem falar até os 11 anos e não soubesse ler e escrever até o fim da adolescência.
Além disso, ele dizia ter corrido 30 maratonas em 35 dias e percorrido cerca de 965 quilômetros em seis dias.
Em 24 de julho, o “The Times” chegou a publicar uma análise da tese de doutorado de Arday, apresentada em 2015. Segundo o jornal, o trabalho continha vários trechos “idênticos ou quase idênticos” aos de um artigo publicado anteriormente por outro pesquisador.
Dezenas de acadêmicos de Cambridge assinaram uma carta pedindo uma investigação independente sobre a contratação de Arday.
A saída de Cambridge
A Universidade de Cambridge, no Reino Unido
Reprodução
O professor havia renunciado na semana passada ao cargo de professor de sociologia da educação na Universidade de Cambridge, no Reino Unido, devido às acusações.
A princípio, quando os questionamentos sobre a trajetória de Arday haviam começado, a universidade defendeu o professor e afirmou que as acusações de plágio já haviam sido investigadas pela Liverpool John Moores University, instituição que o concedeu o título de doutor.
Posteriormente, Cambridge mudou de posição e anunciou a abertura de uma investigação após receber “novas informações sobre as qualificações e nomeações honorárias do professor Arday”.
Nesta semana, Deborah Prentice, vice-reitora de Cambridge, também anunciou uma revisão dos processos de contratação da universidade.
A vice-reitora afirmou que os funcionários negros e de outras minorias étnicas de Cambridge são “altamente valorizados” pela produção acadêmica, pelas conquistas e pelas contribuições à universidade e à comunidade científica.
“Este caso específico é uma exceção e não deve ser usado para lançar dúvidas sobre o trabalho dessas pessoas ou sobre a legitimidade das funções que ocupam em Cambridge”, afirmou Prentice na quinta-feira (13).
Mais de 20 acadêmicos e políticos que apoiavam o ex-professor classificaram as acusações como uma “campanha difamatória” destinada a prejudicar Arday e outras pessoas negras que ocupam “posições de influência”.
Em comunicado divulgado pela editora Simon & Schuster do Reino Unido, a família de Arday disse estar “em choque por ter perdido esse pai, companheiro, irmão, tio e filho incrível”.
“A campanha de desinformação foi demais para Jason, que era um homem gentil e sempre queria enxergar o melhor nas pessoas”, afirmou a família.
Segundo os parentes, Arday foi alvo durante três anos de uma “campanha contínua de ataques” promovida por pessoas que “não deixariam pedra sobre pedra na tentativa de prejudicá-lo”.
*Com informações da AP
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