“Não vamos ceder”, diz negociador do Irã após trocas de ataques com EUA

O principal negociador do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, que também ocupa o cargo de presidente do Parlamento, listou as principais violações do acordo de cessar-fogo pelos Estados Unidos, na madrugada desta quarta-feira (8), após troca de ataques entre os países.
Em publicação na rede social X, Ghalibaf apontou que o governo americano não cumpriu o acordo ao violar os “ajustes iranianos no Estreito de Ormuz” e seguir com “ameaças persistentes de novos ataques”.
O representante do Irã também cita que o descumprimento do acordo por parte dos EUA inclui o “restabelecimento das sanções ao petróleo, os ataques ao sul do Irã e a continuação da agressão sionista”.
Major MOU Violations by the US:
Violating Iranian adjustments in the Strait
Persistent threats of further strikes
Reinstating oil sanctions
Attacks on southern Iran
Continued Zionist aggression on
The era of bullying and extortion is over. It leads nowhere. We don’t fold.
— محمدباقر قالیباف | MB Ghalibaf (@mb_ghalibaf) July 8, 2026
“A era da intimidação e da extorsão acabou. Isso não leva a lugar algum. Não vamos ceder”, escreveu Ghalibaf.
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou nesta quarta-feira ter atacado instalações militares americanas no Bahrein e no Kuwait, depois que Washington lançou uma nova onda de bombardeios contra o país em resposta a ataques contra petroleiros no Estreito de Ormuz.
Mais cedo, na terça-feira (7) os EUA lançaram novos ataques militares e revogaram a licença que permitia ao Irã vender petróleo, em resposta a ataques contra três petroleiros no estreito.
O CENTCOM (Comando Central dos EUA) informou que mais de 60 embarcações de pequeno porte da Guarda Revolucionária Islâmica estavam entre os alvos atingidos, em uma tentativa de impor um alto custo ao Irã pelos ataques contra a navegação, considerados uma violação do cessar-fogo.
“A agressão injustificada das forças iranianas é uma violação clara e perigosa do cessar-fogo e compromete a liberdade de navegação”, afirmou o CENTCOM em comunicado.
O Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, principal comando militar conjunto do Irã, condenou os ataques americanos como um “ato flagrante de agressão”, ameaçou uma “resposta devastadora” e advertiu que Teerã não permitirá interferência dos EUA na administração do estreito.
A mídia iraniana informou explosões na principal ilha exportadora de petróleo do país, Kharg, na ilha de Qeshm e nas cidades portuárias de Sirik e Bandar Abbas, no sul do Irã.
Como mostrou a CNN, no ínicio da semana, Ghalibaf afirmou que a implementação do acordo de cessar-fogo assinado com os EUA é “difícil, mas possível”.
O negociador declarou em conversa com o chefe do escritório político do grupo palestino Hamas, Muhammad Ismail Darwish que estava Teerã para o funeral do Líder Supremo Ali Khamenei, que o Irã não “tem paz com os EUA e não reconhecerá Israel”, reafirmando seu apoio à “frente de resistência”, termo utilizado pelo Irã para descrever os grupos armados regionais que a República Islâmica apoia.
“Quando necessário, esse apoio vem na forma de mísseis; quando é preciso exercer pressão política, essa pressão é aplicada por meio de negociações”, disse o negociador, segundo a emissora estatal iraniana IRIB.
Já o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, havia alertado na terça-feira que as negociações para um acordo definitivo entre Teerã e Washington seguiriam congeladas se os EUA continuassem as ameaças de novos ataques. A fala do chanceler aconteceu após o presidente americano, Donald Trump, ameaçar “terminar o serviço” caso um acordo não seja fechado.
*com informações da Reuters
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Fonte da Matéria: CNN Brasil







