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EUA avaliam novos ataques ao Irã mesmo com pressão interna para encerrar a guerra, diz agência


Trump fica insatisfeito com última oferta de paz do Irã
Autoridades dos Estados Unidos estão analisando uma possível retomada de ataques militares contra o Irã. Ao mesmo tempo, o governo de Donald Trump avalia possíveis reações de uma declaração de vitória na guerra. As informações foram reveladas pela agência Reuters nesta terça-feira (28).
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Segundo a agência, diferentes opções militares continuam oficialmente em análise, incluindo novos ataques aéreos contra alvos militares e políticos iranianos. As informações foram obtidas com uma pessoa familiarizada com o funcionamento do governo.
Além disso, fontes afirmaram à agência que alternativas mais amplas — como uma invasão terrestre do território iraniano — parecem menos prováveis neste momento do que há algumas semanas.
Segundo uma das fontes, o Irã tem aproveitado o cessar-fogo para recuperar lançadores, munições, drones e outros equipamentos que haviam sido enterrados após bombardeios americanos e israelenses nas primeiras semanas do conflito.
Com isso, autoridades avaliam que o custo militar de retomar uma guerra em larga escala pode ser maior agora do que nos primeiros dias da trégua.
Por outro lado, um funcionário da Casa Branca descreveu como “enorme” a pressão interna para encerrar a guerra.
Declaração de vitória
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 28 de abril de 2026
Chris Jackson/Pool via REUTERS
Agências de inteligência dos Estados Unidos estão analisando como o Irã reagiria caso o presidente Donald Trump declare vitória na guerra, segundo três fontes ouvidas pela Reuters.
O estudo foi solicitado por integrantes do alto escalão do governo com o objetivo de avaliar as consequências de um possível afastamento dos EUA no conflito. No radar está o temor de que a guerra provoque grandes perdas para o partido de Trump nas eleições legislativas deste ano.
Uma desescalada rápida poderia aliviar a pressão política sobre o presidente.
Por outro lado, autoridades acreditam que o movimento fortaleceria o Irã, permitindo que o país retome os programas nuclear e de mísseis no futuro.
Aliados americanos na região também poderiam receber novas ameaças.
Nenhuma decisão foi tomada até o momento e não há prazo definido para a conclusão da análise. Trump ainda poderia ampliar novamente as operações militares, segundo a Reuters.
Recentemente, as agências inteligência já avaliaram possíveis reações da liderança iraniana a uma declaração americana de vitória.
Após o início da ofensiva, em 28 de fevereiro, analistas concluíram que, se Trump declarasse vitória e reduzisse a presença militar dos EUA na região, o Irã provavelmente interpretaria a medida como um triunfo próprio, disse uma das fontes.
Por outro lado, caso os EUA declarassem vitória e mantivessem forte presença militar na região, o Irã poderia enxergar o gesto como uma estratégia de negociação, mas não necessariamente como o fim da guerra.
A diretora de assuntos públicos da CIA, Liz Lyons, afirmou que a agência não tem informações sobre a avaliação mencionada. A CIA não respondeu a perguntas específicas da Reuters sobre trabalhos atuais relacionados ao Irã.
O Escritório do Diretor de Inteligência Nacional se recusou a comentar.
A porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, afirmou que os EUA continuam negociando com o Irã e não serão pressionados a aceitar um acordo ruim. Segundo ela, o presidente só aceitará termos que priorizem a segurança nacional e garantam que o Irã não terá armas nucleares.
Custos políticos elevados
Porta-aviões USS Gerald Ford, da Marinha dos Estados Unidos, em foto de janeiro de 2026.
Divulgação/Marinha dos EUA
Pesquisas de opinião mostram forte rejeição à guerra entre os americanos. Levantamento Reuters/Ipsos divulgado na semana passada apontou que apenas 26% dos entrevistados consideram que a campanha militar valeu o custo, enquanto 25% disseram que ela tornou os EUA mais seguros.
Pessoas familiarizadas com discussões recentes na Casa Branca afirmam que Trump está atento ao impacto político do conflito para ele e para o Partido Republicano.
Vinte dias após o presidente anunciar um cessar-fogo, esforços diplomáticos ainda não conseguiram reabrir totalmente o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo.
O Irã bloqueou parcialmente a passagem ao atacar embarcações e instalar minas na região. Cerca de 20% do petróleo mundial passa pelo local.
A interrupção do fluxo elevou os custos de energia no mundo e os preços da gasolina nos Estados Unidos, aumentando a pressão econômica sobre o governo americano.
Uma redução da presença militar dos EUA combinada à suspensão do bloqueio poderia, no futuro, reduzir os preços dos combustíveis. Até agora, porém, os dois lados seguem distantes de um acordo.
No fim de semana, Trump cancelou uma viagem do enviado especial Steve Witkoff e do genro Jared Kushner ao Paquistão para reuniões com autoridades iranianas. O presidente disse que o encontro levaria “tempo demais” e que bastaria o Irã entrar em contato se quisesse negociar.
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