Futebol Amador agoniza por falta de repasses e descaso do Executivo, denunciam lideranças esportivas e vereadores

O futebol amador foi um dos temas centrais da sessão da Câmara Municipal desta quinta-feira (26), com denúncias em relação ao descaso da prefeitura e demonstrações de indignação com a forma que esporte vem sendo tratado ao longo de quase 15 meses da atual administração municipal.
Na Tribuna Popular, o presidente da Liga Esportiva G5+, Denilson Lucena de Oliveira, apresentou um cenário de “insustentabilidade”. Representando diversas ligas (Barreirense, 2 de Julho, São Mateus, entre outras), Denilson revelou que campeonatos em andamento, como o “Visão do Futuro”, “Nova Brasília” e “Ferroviário” não receberam um único real de repasse para arbitragem, mesmo com emendas parlamentares destinadas a este fim.
“O esporte amador de Alagoinhas está agonizando. Tem campeonatos que podem ser paralisados no próximo domingo por falta de resposta. Nunca vi isso acontecer em pleno começo de ano”, desabafou Denilson, que ainda denunciou “porcentagens absurdas” cobradas por empresas licitadas sobre as emendas dos vereadores e relatou dívidas pendentes desde outubro de 2023.
A fala de Denilson repercutiu entre os parlamentares, que reafirmaram a importância econômica e social do futebol amador em Alagoinhas.
O vereador Luciano Almeida parabenizou a coragem dos representantes das ligas e criticou a “má gestão” e a “fama de caloteira” que a cidade vem adquirindo. Segundo o vereador, a Secretaria de Cultura, Esporte e Turismo resume-se ao São João, sendo as emendas parlamentares o único fomento real ao esporte. “É ladeira abaixo. O prefeito não quer enfrentar os problemas de frente, não recebe as pessoas”, afirmou, citando também dívidas com músicos e prestadores de serviço.

A vereadora Luma Menezes questionou o destino dos recursos, lembrando que a previsão orçamentária para 2026 supera os 700 milhões de reais. “O que está acontecendo? É dívida das eleições de 2024? É inadmissível que clínicas veterinárias, bandas e o esporte amador fiquem sem receber enquanto vemos escolas em situação de calamidade”, afirmou a vereadora, que classificou a gestão como “sabotadora e perseguidora”.

O vereador José Edésio relatou o desespero de organizadores que precisam “bater na porta de colegas” para pegar dinheiro emprestado e pagar árbitros no dia do jogo para não cancelar eventos. “Não é possível uma cidade com a história de Alagoinhas viver essa catástrofe no esporte amador”, lamentou.

O vereador Cláudio Abiude reconheceu a crise no setor cultural e propôs uma audiência pública urgente, convocando os secretários de Fazenda, Cultura, a Controladoria e a empresa Solute para esclarecer a “briga de gato e rato” nos pagamentos de som, iluminação e artistas.

O vereador Jorge da Farinha revelou ter desistido de realizar seu campeonato no Jardim Petrolar por receio de não conseguir pagar os juízes. “Tive que pagar do meu bolso no ano passado”, afirmou, defendendo que o recurso seja repassado diretamente às ligas.

O vereador Noberto Alves (Bebé) destacou o papel social do esporte e criticou o uso eleitoreiro de algumas ações. “As pessoas fazem por amor, deixam a família para organizar campeonatos e não têm retorno financeiro nenhum, só dor de cabeça”, salientou.

O presidente da Casa, José Cleto, acolheu as demandas e afirmou que a Câmara não permitirá que o “jogo de empurra” continue, comprometendo-se a intermediar uma solução definitiva.

O líder do governo, vereador Thor de Ninha, reconheceu as dificuldades, atribuindo parte do problema a novas exigências do Tribunal de Contas (TCM) quanto aos planos de trabalho. Ele informou que já esteve com o Secretário da Fazenda, Antônio Lins, para agilizar a execução das emendas impositivas. “Estamos tratando dessa situação para dar celeridade e resolver o problema tanto da cultura quanto do esporte”, garantiu.

Para assistir a sessão na íntegra, clique abaixo:
Ascom – Câmara Municipal de Alagoinhas
Fotos – Jhô Paz






