Com caso do Banco Master, escolha de coordenação de campanha vai ser mais dura para Jerônimo que para ACM Neto

Agora que o escandaloso caso do Banco Master nivelou o campo de jogo entre oposição e governo na Bahia, com as revelações sobre as cifras astronômicas distribuídas pela liquidada instituição financeira à torto, à direita e à esquerda, os candidatos à sucessão estadual devem se concentrar na montagem definitiva das chapas e na definição dos seus coordenadores de campanha, tarefa que a princípio parece que será mais fácil para ACM Neto (União Brasil) do que para o governador Jerônimo Rodrigues (PT), às voltas com uma disputa intestina em seu grupo que ameaça sua tranquilidade e sua articulação e, no limite, pode comprometer sua reeleição.
Enquanto Neto deve apostar num esquema mais colegiado de coordenação que transite entre o prefeito Bruno Reis (União Brasil) e o deputado estadual Nelson Leal (PP), Jerônimo enfrenta dificuldades para a escolha de quem poderá executar o trabalho, muito bem desempenhado pelo então governador Rui Costa (PT), de forma amplamente reconhecida, nas eleições de 2022, nas quais ele se elegeu. De fato, o nome do hoje ministro da Casa Civil desponta com vantagem para assumir a função. O problema, no entanto, é superar as resistências à sua indicação na articulação política de Jerônimo, onde predominam as forças ligadas a Jaques Wagner.
Pelo visto, sem olhar para o perigo, o time mais ligado ao senador prefere correr o risco de comprometer o projeto e perder a eleição do que transferir a Rui algum naco de poder que o auxilie na tarefa de ajudar na reeleição do governador, mesmo sabendo que, pelo perfil determinado e o estilo workaholic, mas, sobretudo, pelo conhecimento que tem da máquina administrativa e da Bahia, o ministro é o personagem mais talhado no grupo para tocar a operação da campanha no momento em que for dada a largada à sucessão. É um conhecimento que ainda falta a Jerônimo, mas sobra ao antecessor, talvez a melhor referência gerencial que o PT produziu no Estado.
No caso de Neto, como não há a cizânia em seu grupo que está virando uma marca do time governista, sem impedimentos ou óbices políticos as chances de escolha de um nome que possa desincumbir-se da tarefa de coordenar os trabalhos rumo às eleições devem se tornar infinitamente maiores, levando o escolhido a devotar-se exclusivamente ao trabalho de criar as condições para a vitória do candidato, aspecto em que o ex-prefeito de Salvador deve levar vantagem sobre o governador. Mas não há coordenação sem chapa completa, motivo porque tanto Jerônimo quanto o adversário trabalham hoje contra o tempo para fechar suas chapas.
Neto, ao que tudo indica e daqui já foi inclusive anunciado, deve fechar a posição com o prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP), se não houver qualquer intercorrência, ao passo que Jerônimo trabalha com a ideia de indicar para a vaga de Geraldo Jr. (MDB) o presidente do Avante na Bahia, Ronaldo Carletto, amigo pessoal de Rui que, no entanto, gostaria de ocupar a primeira suplência de sua candidatura ao Senado. Sob a avalanche política promovida pelas informações provenientes de forma contínua das investigações sobre o Master, com suas consequências ainda imprevisíveis, os dois times vão se armando para o embate de outubro. por Raul Monteiro/Política Livre
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Fonte: INFOSAJ
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