Cultura

Por que as mulheres são mais afetadas pela incontinência urinária?

Durante o mês de março, dedicado à conscientização sobre a saúde feminina, um tema ainda pouco debatido ganha relevância: a incontinência urinária. A condição, caracterizada pela perda involuntária de urina, atinge milhões de mulheres e pode comprometer significativamente a qualidade de vida.

Segundo o urologista Dr. Nelson Batezini, especialista em disfunção miccional, a maior incidência no público feminino está relacionada principalmente a fatores anatômicos, hormonais e obstétricos.

“A mulher tem uma uretra mais curta e uma anatomia pélvica diferente da masculina. Além disso, gestação, parto vaginal e menopausa impactam diretamente a musculatura do assoalho pélvico, favorecendo os quadros de incontinência”, explica o especialista.

Entenda os principais fatores de risco

A incontinência urinária não é uma consequência inevitável do envelhecimento, mas alguns fatores aumentam o risco:

Gestação e parto vaginal: podem enfraquecer ou lesionar a musculatura pélvica.

Menopausa: a queda do estrogênio reduz a elasticidade e o suporte dos tecidos.

Envelhecimento: há perda natural de força muscular ao longo dos anos.

Obesidade: o excesso de peso aumenta a pressão sobre a bexiga.

Tosse crônica e constipação: elevam repetidamente a pressão abdominal.

Cirurgias ginecológicas prévias: podem alterar o suporte da bexiga e uretra.

“O enfraquecimento do assoalho pélvico é um dos principais mecanismos envolvidos. Quando essa estrutura perde sustentação, a uretra pode não conseguir manter o fechamento adequado”, detalha o Dr. Nelson Batezini.

Tipos mais comuns entre as mulheres

A forma mais frequente no público feminino é a incontinência urinária de esforço, que ocorre ao tossir, espirrar, rir ou realizar exercícios físicos. Já a incontinência de urgência provoca uma vontade súbita e intensa de urinar, podendo levar à perda antes de chegar ao banheiro. Muitas pacientes apresentam ainda a forma mista, combinando os dois quadros.

Impactos além do físico

O problema não afeta apenas o sistema urinário. A incontinência pode gerar:

Constrangimento

Queda da autoestima

Ansiedade

Redução da vida social

Impacto na vida sexual

“Muitas mulheres passam a usar absorventes diariamente e evitam sair de casa por medo de escapes. Isso compromete não só a saúde física, mas também emocional”, ressalta o especialista.

Há tratamento e ele pode ser simples

A boa notícia é que existem diversas opções terapêuticas, que variam conforme o tipo e a gravidade do caso. Entre elas estão fisioterapia pélvica, exercícios de fortalecimento, reeducação miccional, medicamentos e, em situações específicas, cirurgia.

“A maioria dos casos pode ser tratada com medidas conservadoras quando o diagnóstico é feito precocemente. O mais importante é não normalizar o sintoma e buscar avaliação médica”, orienta o urologista.

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Fonte: Bahia Recôncavo

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