Empresário defende fair play financeiro e ironiza “luvas mensais”

A discussão sobre sustentabilidade financeira no futebol brasileiro ganhou destaque na entrevista do empresário André Cury ao programa CNN Esportes S/A deste domingo (25).
Com atuação em negociações no Brasil e na Europa, o agente defendeu a implementação efetiva do fair play financeiro e criticou práticas que, segundo ele, distorcem os custos reais das folhas salariais dos clubes.
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Cury afirmou que o futebol brasileiro já possui estrutura e potencial para competir com grandes ligas, mas alertou que o crescimento precisa vir acompanhado de organização.
“Se a gente arrumar, equilibrar as coisas, colocar regra e fazer uma liga organizada, a gente vai ter um futebol para competir com o europeu frente a frente”, disse.
O empresário destacou que, em muitos casos, clubes brasileiros pagam salários superiores aos de mercados tradicionais da Europa.
Hoje o futebol brasileiro paga salário maior que a Europa. Se você for na Espanha, só Barcelona, Real Madrid e talvez o Atlético (de Madrid) paguem mais que Flamengo, Palmeiras, Cruzeiro.
André Cury, empresário de jogadores
Gerson como exemplo
Ao comentar a contratação de Gerson pelo Cruzeiro, Cury usou o exemplo para ilustrar a inflação salarial.
“O Gerson já saiu do Flamengo para jogar lá hiper inflacionado, com uma condição super especial. O Cruzeiro conseguiu trazer o Gerson praticamente nas mesmas condições, talvez um pouquinho menos, mas ainda assim com um salário muito alto”, explicou.
Segundo o empresário, o problema não está apenas no valor pago, mas na falta de controle orçamentário.
Primeiro tem que arrumar para depois pagar. O que não pode é prometer pagamento sem estar com a casa arrumada, porque uma hora ou outra vai ter problema.
André Cury, empresário de jogadores
Modelo europeu
Cury defendeu que os clubes passem a operar com limites claros de gastos, seguindo modelos adotados na Europa.
“Na Europa é super regulado. Na LaLiga, se não bater a conta, você não inscreve o jogador. Não é que você contrata e põe quem você quiser”, afirmou.

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Na avaliação do empresário, esse tipo de controle incentiva alternativas mais sustentáveis.
“Isso ajuda o clube a acionar a base, criar outros modelos de negócio, contratar sem taxa de transferência”, explicou.
“Luvas mensais”
Um dos principais alvos de crítica foi a prática das chamadas “luvas mensais”, comuns no futebol brasileiro.
“Isso só tem no Brasil: luvas mensais”, afirmou.
Segundo ele, a prática serve para mascarar salários.
A luva foi feita para quando o jogador se transfere, para arrumar a casa, comprar carro, resolver as coisas. Aqui criaram luva mensal ou semestral para maquiar o salário.
André Cury, empresário de jogadores
Cury explicou que essa distorção compromete a transparência financeira.
“O clube divulga que a folha é 15 milhões, mas não é. Quando você soma as luvas, dá 25”, afirmou.
Apesar das críticas, o empresário reconheceu avanços em alguns clubes.
“Tem vários clubes no Brasil que estão cumprindo os contratos corretamente: Flamengo, Palmeiras, Red Bull, Athletico, Bahia, Cruzeiro. Esses clubes estão em dia com jogadores e fornecedores”, disse.
Para Cury, a adoção efetiva do fair play financeiro pode corrigir distorções históricas e criar um ambiente mais saudável.
O Brasil tem tudo para ser muito maior do que é, mas precisa funcionar com orçamento e regra.
André Cury, empresário de jogadores
CNN Esportes S/A
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Fonte: CNN Brasil
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